'A pequena Bagdá' do século 20

Até 1848, havia apenas o Rio Tamanduateí onde hoje fica a Rua 25 de Março. Neste lugar, o rio fazia sete apertadas curvas, entre brejos e atoleiros. Daquele ano até 1851, houve uma pequena mudança no local com a primeira retificação das águas.

ROSE SACONI / DO ARQUIVO, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2012 | 03h02

Em 1859, foi traçado o desenho da via que ligaria a Ponte do Carmo ao Porto de São Bento pela margem esquerda do rio e se chamaria Rua de Baixo, pois estava ao pé da colina onde ficava o espaço urbano.

Em 1865, parte da via passou a se chamar Rua 25 de Março e o outro trecho levou o nome Rua do Mercado. "É uma das ruas em que há maior número de cortiços e as edificações têm progredido muito", descreveu o Estado na edição de 25 de abril de 1884. Na época, a rua tinha nove sobrados e 115 casas.

O caráter comercial surgiu com a chegada dos imigrantes árabes, no começo do século 20, que abriram lojas de armarinho, tecidos, confecção, bijuterias e tapetes.

A rua chegou até a ser chamada de "a pequena Bagdá", pois lá se vendia quase de tudo, até mesmo promessas de enriquecimento para imigrantes árabes.

A família Jafet foi uma das primeiras a abrir comércio na região - uma loja de tecidos na Rua Florêncio de Abreu. Logo depois, com a retificação do Rio Tamanduateí, a loja foi transferida para a Rua de Baixo.

Em busca de ajuda, os imigrantes árabes procuravam a família bem-sucedida. Muitos recebiam alguns metros de tecido para vender ou confeccionar, cedidos a juros; outros montavam pequenas lojas e fábricas de botões e outras miudezas.

Com a ampliação do comércio, o espírito dos árabes foi incorporado por outros mascates - brasileiros e de outras nacionalidades - que compravam ali.

Gráfica. O Estado também investiu na região da Rua 25 de Março. Há 100 anos, na edição de 26 de março de 1912, o jornal anunciou a compra de um terreno no número 145 da via e lá construiu sua oficina. As novas oficinas gráficas passariam a ter rotativas Marinoni, encomendadas na Europa. Hoje, uma loja ocupa o prédio onde funcionou a oficina do jornal.

Em 25 de março de 1824, o imperador d. Pedro I outorgou a primeira Constituição do Brasil, dando-lhe amplo poder. A rua recebeu este nome em 1865, por proposta do vereador Malaquias Rogério de Salles Guerra.

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