'A mudança terá de ser permanente'

Um dos principais climatologistas do País, o pesquisador Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e desde o ano passado secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência e Tecnologia, comenta sobre a mensagem política do novo texto e o que se pode esperar do IPCC no futuro.

Entrevista com

Giovana Girardi, O Estado de S.Paulo

28 Setembro 2013 | 02h10

A ciência já tinha certeza do problema em 2007, mas o mundo ainda não está agindo conforme essa urgência. De que modo o novo relatório tenta sensibilizar para a necessidade de ação?

Ele é muito mais incisivo, com evidências mais robustas, mais detalhadas sobre a influência humana no aumento da temperatura, na mudança do padrão de chuva, na elevação do nível do mar, no degelo do Ártico. Acho que uma das principais mensagens políticas é a que fala: "Emissões continuadas de gases de efeito estufa vão causar mais aquecimento e mudanças em todos os componentes do sistema climático. Limitar a mudança climática vai requerer reduções de emissões substanciais e sustentadas". Essa primeira parte do relatório não fala em números, mas isso quer dizer cerca de 80% (de redução) até o fim do século, em relação a valores de 2005. E "sustentada" é que tem de ser praticamente permanente, não pode diminuir por uns 10 anos e depois voltar. Tem de ser uma mudança no funcionamento da nossa sociedade.

O IPCC estaria chegando ao seu limite?

Há um debate no IPCC de que talvez seja hora de mudar, talvez não seja mais necessário um megarrelatório a cada 6 anos. As certezas vêm subindo, algumas de 90% para 95%, e não é improvável que em uma década chegue a ser virtualmente certo (mais de 99%) o papel do homem. Com o que sabemos, não há motivos para não lançar já todos os esforços nacionais e internacionais possíveis para mitigar o problema e buscar adaptação ao inevitável. É o momento de mudar para atuar mais rapidamente, com relatórios temáticos, setoriais, mais rápidos, para atender à necessidade de uma política pública específica, como o que vai ocorrer com as regiões semiáridas.

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