'A metrópole precisa de mais corredores de ônibus'

A superlotação na Estação Consolação vai durar até quando?

O Estado de S.Paulo

09 Outubro 2011 | 03h00

O que a gente acha é que não vai ficar o mesmo aperto dos primeiros 15 dias por dois motivos. Primeiro porque as equipes estão aprimorando o fluxo de passageiro. Em alguns momentos, você tem todas as esteiras em um sentido só. Depois, a população vai percebendo os melhores caminhos. Por exemplo: quem está na (Avenida) Paulista e quer ir para a Faria Lima, entra na Estação Consolação, atravessa tudo por baixo para pegar o metrô. O pessoal vai ver aos poucos que pode seguir a pé e entrar na Estação Paulista, que está vazia. E vai ter aqueles que vão optar por fazer a integração no Paraíso. Todo o fluxo tende a uma situação de equilíbrio.

A demanda está de acordo com aquilo que foi previsto?

O problema é que o fluxo de novos passageiros está sendo forte e, sob certos aspectos, inusitado. Estamos tirando passageiros dos ônibus. Lá embaixo, na integração com o Largo 13. E por quê? Nossa impressão é por tempo e por dinheiro. A viagem de metrô é mais rápida e custa $ 3,20 por dia a menos. Pelos modelos, imaginávamos que você poderia pegar mais passageiros de carros, supondo que o transporte público estava adequado. Você tiraria gente dos carros e daria até mais fluidez aos ônibus. O carro continua ali. O que é preciso fazer agora é repensar as ações que a gente pode tomar para a melhoria dos corredores.

Como o senhor vê as ações das prefeituras para o transporte público?

Por mais que você tenha uma massa enorme de investimentos, é preciso ter uma conjunção de esforços. De que adianta uma bela rede metroferroviária se você não tem uma capilaridade funcionando bem? Precisamos que todos os municípios, principalmente os que fazem fronteira com São Paulo, aprimorem seus sistemas também. Não adianta fazermos só metrô. Ele nunca vai passar na esquina de casa. É preciso uma complementação. Não basta um prefeito pedir metrô para a cidade dele. Não basta dizer que está ajudando o metrô. Precisa fazer a parte dele.

O Estado, então, não quer dinheiro de prefeituras para o metrô? Quer que os prefeitos façam corredores, é isso?

Dinheiro é sempre bem-vindo. Estamos esperando dinheiro da União, que está se comprometendo a nos ajudar com dinheiro a fundo perdido. Isso é necessário. Agora, os municípios devem ajudar melhorando seu transporte local. Isso é importantíssimo.

O senhor disse que há mais empresas interessadas em fazer uma PPP para a Linha 6-Laranja. Esse deve ser o modelo das futuras linhas?

Aparentemente, todo mundo vê o lado financeiro. Mas tem um outro elemento, que pouca gente vê, é que vai faltar capacidade gerencial para o Estado. O Metrô é um operador. Como é que vão construir 11 obras? Estamos acostumados a fazer uma linha só. Isso aqui vai ser seguramente o maior volume de investimentos ao mesmo tempo no planeta.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.