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A memória do Tatuapé que ainda está de pé

Bairro preserva construções do século XVII, de taipa-de-pilão

O Estado de S. Paulo

22 de setembro de 2015 | 20h36

A história oficial do Tatuapé teve início em 1560, poucos anos depois da fundação da cidade de São Paulo e bem antes de virar oficialmente um bairro e um distrito. Desde a chegada de Brás Cubas entre 1550 e 1560, passando pelas vinícolas, fábricas e até a valorização imobiliária do bairro, um dos mais procurados da zona leste, muita coisa mudou. Ainda assim, a região conserva vários prédios muito (muito mesmo) antigos.

Casa do Tatuapé (1698) - O primeiro registro da Casa do Tatuapé (hoje parte do conjunto de casas históricas do Museu da Cidade) é de apenas trinta anos depois do surgimento do povoado. Pertenceu primeiramente ao padre Matheus Nunes de Siqueira. Por 150 anos, serviu de morada e abrigou tropeiros. Serviu também como olaria. O último morador foi Elias Quartim de Albuquerque, que morou ali desde 1877 até 1943. O local então foi adquirido então por uma tecelagem, desapropriado pela prefeitura em 1979, reformado e aberto ao público um ano depois. É um centro cultural.

Casa do Regente Feijó (1698) - O primeiro registro encontrado é também de 1698. No entanto, a história da edificação, remanescente da arquitetura bandeirista, construída em taipa-de-pilão, começou a ganhar destaque apenas em 1827. Foi quando Diogo Antônio Feijó (1784-1843), passou a viver ali. Ao todo foram catorze anos, bem no período em que ele foi regente do Império. Na época, o então chamado Sitio Capão do Tatuapé mudou de nome para "Paraíso", por ordem de Feijó. No século XIX, passou por uma reforma, perdendo algumas de suas características originais e ganhando um segundo andar. A partir de 1911 foi sede da Associação Feminina Beneficente e Instrutiva, comandado por Anália Franco. Ali eram recebidos menores abandonados. A casa ainda está de pé, pertencendo a um grupo empresarial, e não está aberta para visitação.

Paróquia Nossa Senhora da Conceição (1899) - Fundada em 8 de outubro de 1899, foi construída no terreno doado pelo estado para o Tenente Luis Americano, que o repassou à Igreja. Inicialmente, era uma pequena capela no que viria a ser a praça Sílvio Romero. Seria deslocada para o número 230 do mesmo logradouro em 1950, quando com ajuda dos fiéis é construído um salão maior a ser habilitado para o culto. Em 8 de dezembro de 1959 foi lançada a pedra fundamental da atual edificação, no mesmo local da capela original. Ainda hoje permanecem originais os sinos na fachada e a imagem de Nossa Senhora da Imaculada Conceição.

Padaria Lisboa (1913) - A casa é uma das mais antigas ainda em funcionamento na capital paulista. Seis anos mais velha que o Capuano (1907), um dos longevos restaurantes de São Paulo. Sempre esteve na família Martins, hoje em sua 4ª geração. Entre as tradições, está a empadinha de palmito (recheio cremoso de palmito, molho de tomate, ervilha e azeitona), carro-chefe da casa.

Paróquia Nossa Senhora do Bom Parto (1925) - A igreja original ficava no Largo Nossa Senhora do Bom Parto, também no Tatuapé. Mudou para o atual endereço, na Rua Serra do Japi, 1172, em 1958, quando foi adquirido o terreno e iniciadas as obras do edifício atual, que só ficou pronto em 1983. Permanecem originais algumas obras de arte em seu interior.

Praça Sílvio Romero (1931) - Chamado inicialmente de Largo da Conceição, em homenagem à Capela Nossa Senhora da Conceição, foi rebatizada em referência ao historiador sergipano Sílvio Vasconcelos da Silvara Ramos Romero, em 1931. A necessidade de calçamento já era discussão na Câmara Municipal em 1948 e veio a ser concretizada pelo prefeito Jânio Quadros na década de 1950.  Seus canteiros arborizados e banquinhos, ao redor da Igreja, serviram e ainda servem de ponto de encontro de muitos casais, que curtem o clima bucólico do local. Uma curiosidade é que durante o dia, uma das atrações da antiga praça era a ordenha das vacas, cujo os moradores faziam fila para beber o leite tirado na hora.

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