À mão livre ou digitais, 50 faces por mês

Profissional tem de se fazer muitas vezes de psicólogo, antes de usar micros ou pincéis

Renato Machado e Vitor Hugo Brandalise, O Estado de S. Paulo

12 de março de 2011 | 21h49

SÃO PAULO - Poucos dias após o ex-árbitro Oscar Roberto Godói ser baleado, foi divulgado o desenho de um homem com cabelos curtos e crespos, com o rosto fino e posicionado meio de lado. Uma imagem feita com relatos de vítimas - todas crianças - também foi produzida para retratar o rosto do chamado Maníaco da Cantareira. A diferença entre as peças é que a segunda foi feita com tecnologia digital, enquanto a primeira é totalmente artística, feita à mão livre. As duas técnicas são usadas na polícia, que produz cerca de 50 retratos falados por mês. Cada um leva em média 40 minutos para ficar pronto.

 

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O Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) e o Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) estão investindo em tecnologia para melhorar os retratos falados. Hoje, há 6 mil perfis no banco de dados, usado como base para criações. "O digital é mais prático, porque a base está montada. Manipulamos a imagem para chegar ao resultado final", diz o perito Lino de Barros, de 46 anos, há nove na área.

 

Independentemente de ser à mão ou digital, os artistas seguem uma espécie de ritual, passando por psicólogos para relaxar as testemunhas. Nunca pedem relato do que aconteceu, forma de não provocar bloqueios. Para elaborar o retrato do Maníaco da Cantareira, por exemplo, Barros pediu às vítimas - três crianças abusadas sexualmente - que desenhassem o criminoso. "O menor desenhou detalhes importantes, de onde parti. Mostrei a eles e percebi na reação que era parecido."

 

Yoshiharu Kawasaki, de 46 anos, é um dos poucos que ainda desenham à mão. "Dá liberdade para retratar detalhes", diz o investigador, artista respeitado, que trabalha há 18 anos com retrato falado. O método permite retratar a partir de perspectivas, como o do atirador de Godói. "Vamos avançar em tecnologia, mas manter o artístico. Cada um tem sua importância", diz Tânia Nagashima Simonaka, chefe da unidade de inteligência policial do Deic.

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