A justiça foi feita, diz mãe de Isabella

A justiça foi feita, diz mãe de Isabella

Ana Carolina de Oliveira afirma que ''o vazio ficou'' e conta como foram os dias de isolamento, sem poder acompanhar o julgamento

Felipe Branco Cruz, O Estadao de S.Paulo

28 Março 2010 | 00h00

"Hoje eu não pude acordar e ter o abraço da minha filha. A Justiça foi feita? Foi. Mas o vazio ficou. Minha filha não vai voltar", disse ontem a mãe de Isabella, Ana Carolina de Oliveira, sobre o resultado do júri que condenou o casal Nardoni pela morte da menina.

Ana Carolina falou por cerca de 20 minutos com repórteres que estavam na frente do prédio em que mora com os pais, na Vila Maria, na zona norte da capital. Ela chegou para a entrevista acompanhada de parentes e da mãe, Rosa Maria Oliveira. Durante a conversa, ficou abraçada a uma menina, filha de uma vizinha. Aparentava cansaço e afirmou que só conseguiu dormir às 5h. "Estou morrendo de dor de cabeça. A adrenalina estava alta e não dormi", disse Ana Carolina.

Antes de conversar com os jornalistas, a mãe de Isabella almoçou e conversou com seu terapeuta. "A terapia me ajudou a enfrentar esse momento. Mas diria que esta semana me fez regressar os dois anos de tratamento que estou fazendo."

Choro. No início da entrevista, ela aparentava tranquilidade, mas se abalou e chorou ao falar da morte da filha, que completará dois anos amanhã. "A saudade só aumenta, nunca diminui."

A respeito da sentença, Ana Carolina disse que estava confiante no resultado e que a condenação foi justa. "A atuação do juiz Maurício Fossen foi competente", disse. "As provas estavam claras no processo." Em menos de dez anos, Alexandre Nardoni poderá ser solto e cumprir a pena em regime semiaberto. Anna Jatobá, em oito anos. A mãe de Isabella, no entanto, disse que não pensa nisso. "Não entendo de Direito. Acho que neste caso existe uma falha. Mas por agora é continuar seguindo em frente."

Sobre os fogos de artifício lançados por populares na frente do fórum ao final do julgamento, Ana Carolina disse que foi uma maneira de as pessoas "expressarem o que sentiam por aquela maldade".

Reclusão. Segundo ela, um dos momentos mais traumáticos durante o julgamento foram os quatro dias em que ficou reclusa em uma sala do Fórum. "Achei cruel o advogado (Roberto Podval) pedir para eu ficar." Ela também descreveu a sala: "Era pequena, sem ventilação e janelas." Enquanto esteve reclusa, sua pressão arterial chegou a cair. "Podval tinha receio que eu falasse com a imprensa quando saísse e o juiz acatou."

Durante o julgamento, Ana Carolina não conseguiu ver os rostos de Anna Carolina Jatobá e Alexandre Nardoni. "Fiquei sentada em um local que não conseguia enxergá-los. Um estenógrafo ficou na minha frente."

A movimentação na frente da casa da família começou por volta das 7h, quando o pai de Ana Carolina, José Oliveira, saiu para comprar pão e disse à imprensa que tirou um peso das costas. "Esperei dois anos. Queria justiça e ela foi feita."

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