A iniciativa é interessante, mas ainda fica a dever

A Restaurante Week, em seu princípio, é uma iniciativa interessante. Fomenta o interesse pela gastronomia e democratiza o acesso a um considerável número de estabelecimentos. Mas é preciso reconhecer, por outro lado, que a celebrada semana (que na verdade é quinzena) ainda fica a dever em São Paulo. Especialmente se comparada à de Nova York.

Luiz Américo Camargo, O Estado de S.Paulo

20 Março 2011 | 00h00

Qual é a ideia central, ao menos nos EUA? Aumentar a base de clientes de restaurantes. Atrair os habitués, mas também oferecer um lugar à mesa a um novo público. E, assim, construir a clientela do futuro. Na metrópole americana, essa proposta é levada muito a sério, com participação para valer de grandes chefs, que servem seus pratos de linha.

Em São Paulo, entretanto, estabelecimentos de primeiro time que fazem parte da iniciativa são minoria. E acontece de muitas casas oferecerem não os itens do cardápio, mas sugestões mais baratas, quando não simples quebra-galhos. Ou seja, não apresentam as verdadeiras cozinhas. O comensal não pode nem deve esperar trufas e foie gras, é óbvio. Mas, se um restaurateur topou aderir, deveria fazê-lo com capricho.

Outro aspecto é o das reservas. Muitas casas ficam mesmo lotadas e é bom telefonar e garantir lugar - se possível, com dias de antecedência. No ano passado, a propósito, passei pela seguinte experiência. Liguei para um restaurante e perguntei se estava cheio. "Se for Restaurant Week, é mais de uma hora de espera", disse o funcionário. "E se for pelo cardápio normal?", retruquei. "Aí a gente arruma uma mesa." Não deveria ser assim.

Neste ano, há alguns restaurantes de ótimo nível, como Arturito, Tordesilhas, Templo da Carne, Marcel, Picchi. Mas recomendo eleger programas com sabedoria. Informem-se a respeito dos cardápios propostos. Telefonem e questionem sobre como funciona a política de reservas. E escolham bem onde pretendem apostar seus reais e seu tempo.

É CRÍTICO DO "PALADAR" E DO "DIVIRTA-SE"

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