CNBB/Divulgação
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‘A Igreja precisa ouvir a voz do povo’, diz novo presidente da CNBB

Em referência às manifestações de rua, d. Sérgio afirma que é justo as pessoas se expressarem

Entrevista com

d. Sérgio da Rocha, presidente eleito da CNBB

José Maria Mayrink, Enviado Especial/O Estado de S. Paulo

22 Abril 2015 | 03h00

APARECIDA - O novo presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), d. Sérgio da Rocha, arcebispo de Brasília, que tomará posse na sexta-feira, afirmou nesta terça-feira, 21, ao Estado que vai procurar ter com o governo um diálogo produtivo, apresentando proposições e sugestões, em vez de apenas escutar. “Devemos escutar os clamores do povo, as situações difíceis que as pessoas vivem na sociedade”, disse o arcebispo, acrescentando que a Igreja tem sempre de ouvir a voz do povo.

Referindo-se às manifestações e aos protestos de rua dos últimos meses, d. Sérgio considera ser justo que as pessoas possam expressar aquilo que sentem, reivindiquem e se organizem. “Só pedimos que isso seja feito com uma atitude de diálogo, uma atitude de respeito, de paz, pois manifestações que não preservarem isso prejudicam as causas que defendem.” A seguir, os principais trechos da entrevista.

Nova presidência, nova CNBB?

Nós temos a continuidade da CNBB nestes últimos quadriênios. É uma história muito bonita que continua conosco. Não é que nós iniciamos uma nova etapa, mas a CNBB deve sempre crescer para cumprir a sua missão. Teremos a tarefa que nos está sendo confiada pelo episcopado nas condições que estamos vivendo hoje na Igreja e na sociedade, no pontificado do papa Francisco.

O senhor disse que a CNBB estará à escuta. O que significa?

A escuta deve ser ampla. Em primeiro lugar, escutar o episcopado. A CNBB é um serviço à Igreja no Brasil, ao episcopado. Para ser efetivo, esse serviço precisa ter a escuta como partida, uma escuta que não se cansa. Também devemos escutar os clamores do povo, as situações difíceis que as pessoas vivem na sociedade e, ainda, aquilo que as pessoas vivem na comunidade eclesial. Além de ouvir os bispos, a Igreja precisa sempre ouvir a voz do nosso povo, o que significa ouvir a voz do povo nesse momento de crise, de manifestações. Também devemos escutar os clamores do povo, as situações difíceis que as pessoas vivem na sociedade. A CNBB já tem escutado esse clamor. Essa escuta não é uma simples acolhida, mas também a recordação dos valores éticos que devem orientar a forma de expressar esse clamor. Temos insistido no diálogo e na paz. É justo que as pessoas possam expressar aquilo que sentem. Só pedimos que isso seja feito com diálogo, uma atitude de respeito e paz. Manifestações que não preservarem isso prejudicam as causas que defendem.

Como arcebispo de Brasília, o senhor está geograficamente próximo do governo. O senhor tem diálogo com o governo?

De modo geral, espero que essa proximidade favoreça o diálogo. O fato de o presidente da CNBB residir em Brasília pode favorecer isso. É preciso ter uma pauta que brote das necessidades da Igreja no Brasil. A CNBB deve ser cada vez mais propositiva em relação ao dia a dia da sociedade e do País. Não queremos ser controladores da vida social, mas nossa contribuição tem de ser dada. Queremos iluminar para ajudar a transformar. Que seja o diálogo que tenha algo a escutar, mas também a propor.

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