Helvio Romero/Estadão
Helvio Romero/Estadão

A história do Tremembé

Envolvida pela vegetação do Horto e da Cantareira, região atraiu imigrantes pela paisagem campestre e o clima ameno

O Estado de S. Paulo

07 de setembro de 2015 | 19h57

Distrito da zona norte, berço do Horto e do Instituto Florestal, o Tremembé tem quase 200 000 moradores. O bairro propriamente dito, pontuado pela Fazendinha (esquina das avenidas Maria Amália e Nova Cantareira) e a igreja de São Pedro, construída nos anos 1929, tem jeitão interiorano, mas sofre com o crescimento apressado, o aumento da população e o desmatamento dos mananciais para a passagem do progresso. O clima ainda é bom, muito em virtude de estar cravado em um vale cercado por vegetação. Ao menos por enquanto.

1. Padres jesuítas: consta que como fazenda de padres jesuítas o Tremembé existe há muito tempo. Século XVI, provavelmente. Foi bastante procurado por imigrantes europeus (italianos, alemães, holandeses) que queriam viver no Brasil e encontravam naquela região clima e paisagem familiares. 

2. Chácaras e sítios: durante muito tempo, a região se caracterizou por chácaras, fazendas e sítios que os grandes proprietários começaram a lotear – igualzinho a outras tantas áreas de São Paulo. Quando a urbanização chegava, ou queria chegar, era tentador fazer dinheiro vendendo terras.

3. 1890: o bairro teria começado a se formar oficialmente em 1890, com os primeiros loteamentos. Boa parte das terras – e as primeiras a ser vendidas – eram plantações de chá de um político chamado Pedro Vicente de Azevedo (1844-1902). Ele era casado com Maria Amália Lopes de Azevedo, que virou nome de rua. 

4. Trenzinho: o desenvolvimento do povoado tem ligação direta com o funcionamento da Estrada de Ferro da Cantareira, a partir de 1893 e até meados da década de 60. Ela fazia a comunicação da capital com os reservatórios de água que a abasteciam. Rumo à estação Tamanduateí, os trilhos foram importante meio de transporte no povoado (o antigo terminal desativado pode ser visto no Clube da Sabesp). 

5. Vila Rosa e Vila Arnoni: no começo do século XX, o loteamento de terras das famílias  Rosa e Arnoni daria origem a vilas com seus nomes (Vila Rosa, Vila Irmãos Arnoni).

6. Villa Albertina: uma sociedade foi constituída para comercializar os lotes e atrair novos moradores. Era a Sociedade Anônima Villa Albertina, que no começo oferecia material de construção e ligação de água como brinde para quem topasse morar ali.

7. Igreja São Pedro de Tremembé: estima-se que tenha sido erguida em 1924. No ano seguinte os próprios moradores se organizaram para trazer a luz elétrica. O asfalto chegaria em 1928.

8. Horto Florestal: fundado em 1896 por um naturalista sueco chamado Alberto Löfgren, aonde antes existia uma fazenda de café e chá, foi ocupado por espécies de planta trazidas especialmente para a constituição do parque. 

9. Vidinha de interior: até os anos 1950, predominava no Tremembé uma vida pacata em que de uma terra a outra avistava-se a criação de gado e a roça do vizinho. Não eram poucos os produtores que levavam sua colheita para o Mercado Municipal de trem.

10. A nova paisagem: a cena campestre aos poucos foi sendo convertida em cenário mais urbano. No lugar daquela atmosfera familiar, em que todo mundo se conhece e a molecada brinca na rua sem muito perigo, passam a predominar as avenidas de trânsito apressado. As pessoas estão sempre de passagem, a caminho de algum outro lugar – seja um condomínio de alto-padrão no vale ou mais perto da serra, seja o trabalho, a escola ou o que for. Vário prédios desafiam o que já foi estritamente zona 1 (só casas).

11. Filme: “Tremembé, meu amor”, de 2013, é recomendado para quem deseja saber mais do bairro, na voz de habitantes antigos e apaixonados. Foi produzido pelos cineastas Humberto e Anahí Borges, moradores da Vila Rosa. Tem duração de 26 minutos.

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