Acervo/Estadão
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A história do Jardim Paulista

No correr dos anos desde o século XVI, terrenos pantanosos e pequenas colinas foram tomados por plantações de chá que dariam lugar a ruas arborizadas, casas, prédios, lojas e restaurantes

O Estado de S. Paulo

01 de setembro de 2015 | 19h06

O Jardim Paulista, junto aos demais bairros que compõem a região dos Jardins (América, Paulistano e Europa), forma uma espécie de franja ao longo da Avenida Paulista no sentido da Marginal Pinheiros. É também colado em Cerqueira César, na Consolação e no Paraíso.

A rigor, tudo o que fica dentro do desenho formado por Paulista, Peixoto Gomide, 9 de julho, São Gabriel, República do Líbano e Brigadeiro Luiz Antônio é Jardim Paulistano. Na prática, porém, essas bordas se mesclam bastante, principalmente dos lados de Cerqueira César, tangenciando a Rebouças - é onde desembocam tantas alamedas que levam nomes de cidades do interior e do litoral paulista. 

Conheça um pouco da origem desses lugares.

1. Roças de tabaco

Ainda no século XVI, a região era um caminho para o Ibirapuera e aos poucos foi ocupada por fazendas e sítios. Nessa fase, conta o escritor Levino Ponciano, no livro “Bairros Paulistanos de A a Z”, que os agricultores plantavam ali tabaco, chá e uva para fazer vinho.

1. Os Jardins 

O Jardim Paulista, bem como seus irmãos, nasceria no século XX com propósito residencial. Muitos anos antes, algumas das largas e arborizadas ruas em outros tempos formavam um caminho pantanoso e cercado por brejos.

2. O conceito de bairros-jardim

Os Jardins surgiram a partir de um projeto de moradia da Cia. City, a mais antiga empresa urbanística em funcionamento em São Paulo. O conceito de bairros-jardins com casas ajardinadas, desenvolvido para os subúrbios da Inglaterra, se tornou sucesso na Europa no início do século XX e, em 1913, começou a ser trazido para o País. 

3. Horácio Sabino

O jardim mais velho de todos é o América e boa parte das terras que o compunham no começo de sua história hoje pertencem ao Paulista. 

Na esquina da avenida Paulista com a rua Augusta, no comecinho dos anos 1900, ficava o palacete do empresário Horácio Sabino. Anos depois, naquele quarteirão, seria erguido o Conjunto Nacional. 

Sabino era dono de muitas terras desde a Paulista e em direção ao rio Pinheiros e ele ali fez um loteamento que batizou de América. Era uma homenagem a sua mulher. Só muitos anos depois passou a representar também o continente, no nome das ruas. Por volta de 1905 a Vila América já existia. Em 1913, a Cia. City, da qual Sabino é um dos fundadores, assumiria os negócios do loteamento e boa parte do que hoje é o Jardim Paulista saiu dali.

4. Pamplona

No fim do século XIX, o industrial de origem açoriana José Coelho Pamplona também era dono de terras na vizinhança. No século XX, no processo de urbanização do bairro, as famílias Pamplona e Paim também resolveram lotear. O loteamento foi chamado de Jardim Paulista e aos poucos as ruas ganharam nomes de cidades do interior.

5. Industriais e comerciantes

Donos de fábrica e de comércio que se mudavam para a cidade ou que a princípio haviam se estabelecido em bairros como Brás e Bixiga começaram a se instalar na região da Paulista e arredores. Preferiam viver longe da baixada industrial e nas partes mais altas da cidade. “A formação dos Jardins remonta a história social e econômica de São Paulo e reflete as transformações experimentadas nas décadas de 1920 e 1930.Os casarões dos barões do café na avenida Paulista deixavam de ser a imagem da prosperidade econômica do Estado e passavam a ser as mansões dos grandes industriais nos Jardins.” (leia mais sobre o surgimento dos Jardins no Acervo Estadão)

6. Trianon

Era conhecido como o parque da Avenida. Verdadeira reserva de Mata Atlântica, é um patrimônio histórico e existe desde 1892. São quase 50 000 metros quadrados de área verde.

7. Bonde

O bonde chegou aos Jardins em 1924, pela linha 44, que ia da rua Augusta até a rua Hipólita (Gabriel Monteiro da Silva), passando por Brasil e Atlântica.

8. Túnel 9 de julho

Inaugurado em 1938 pelo então prefeito Prestes Maia, o túnel 9 de Julho ligava a área de casarões e palacetes ao centro da cidade.

9.Conjunto Nacional

Primeiro shopping da América Latina. Foi inaugurado em 1958 no lugar antes ocupado pela mansão de Horácio Sabino.

10. Masp 

Fundado no Centro, em 1947, foi transferido para o Jardim Paulista em 1968. O projeto é de Lina Bo Bardi e demorou 12 anos para ficar pronto. 

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