Clayton de Souza/Estadão
Clayton de Souza/Estadão

A história do Ipiranga

Dos índios Guaianazes à transformação da paisagem promovida pela família Jafet

O Estado de S. Paulo

25 Agosto 2015 | 15h40

O Ipiranga já foi o lugar dos índios Guaianazes, até que chegaram os brancos para atrapalhar, no século XVI. Um deles, o explorador português João Ramalho, contribuiu para o surgimento da população misturada. Sua primeira mulher, Catarina, ficou em Portugal e eles nunca mais se viram. Uma vez náufrago e depois em terra firme, já no Brasil, Ramalho casou-se com Bartira, filha do cacique Tibiriçá. Teve muitos filhos com ela (e com outras índias). 

O tempo passou e, de passagem estratégica entre o mar e a cidade, o Ipiranga virou o lugar do grito da Independência, testemunhou e participou das transformações urbanas provocadas pela industrialização e virou um dos mais tradicionais bairros paulistanos.

1. Planalto Piratininga: os índios Guaianazes foram os primeiros moradores do Ipiranga. O explorador português João Ramalho (1493-1580) naufragou na costa e na segunda década do século XVI já vivia com os índios no Planalto Piratininga, que viria a se transformar em São Paulo e ia da margem direita do ribeirão Guapituva e a aldeia do cacique Tibiriçá. Ramalho, aliás, casou-se com Bartira, a filha do cacique e com ela -  e outras índias - teve muitos filhos.

2. Novos ocupantes: com o tempo, os índios se mudaram. Não gostavam de ser escravizados pelos brancos. Por volta de 1580, a região tinha cerca de 1 500 habitantes.

3. Passagem estratégica: os primeiros estrangeiros que entraram no Brasil pelo Porto de Santos chegavam à capital pelo Caminho do Mar (a Estrada Velha) e o Ipiranga era uma passagem obrigatória para eles. A localização e a topografia favoreciam a passagem e a instalação de comércio.

4. Principal fato histórico: D. Pedro I proclamou a Independência do Brasil em 7 de setembro de 1822 às margens do Ipiranga.

5. Museu, parque e monumento: esses três elementos ajudaram a marcar território na memória da cidade e do país. O Museu Paulista foi aberto em 1895. O monumento (polêmico, criticado e inacabado projeto de um escultor italiano) foi inaugurado em 1922 e concluído em 1925. A pedido do prefeito Antônio Prado, os jardins franceses começaram a ser plantados em 1907.  

6. Industrialização: a industrialização chegou ao Ipiranga perto de 1875. O primeiro bonde elétrico, em 1904. 

7. Os trens e o rio: a ferrovia Santos-Jundiaí (1867) e a proximidade das margens do Rio Tamanduateí consolidaram o lugar do Ipiranga entre os bairros industriais da cidade. Trens, ônibus e bondes transportavam os operários para as fábricas e os trens também faziam circular a produção.

8. A via Anchieta: nas bordas da cidade, foi inaugurada nos anos de 1940 a rodovia Anchieta, um novo caminho do mar, atraindo ainda mais fábricas, comércio e moradores para os arredores. 

9. Os Jafet: exceção à regra: na virada do século, a cidade era nobre em bairros como Higienópolis, pobre onde viviam os imigrantes e miserável nas regiões ocupadas pelos negros. Os grandes empresários se instalavam no alto, na Paulista e arredores, sempre longe das fábricas. "Mas houve uma exceção", escreve, em "A Capital da Vertigem", de Roberto Pompeu de Toledo. "Os Jafet, os mais bem-sucedidos entre as famílias de origem árabe, plantaram tanto as fábricas com suas mansões no Ipiranga. Antes deles, o bairro era lembrado apenas pelo distante museu."

10. Centenário da Independência: nas duas primeiras décadas do século XX, o Ipiranga era quase nada, exceto pelo museu (1895) e seus jardins (1909), a fábrica dos Jafet (1907) e algumas ruas "sem calçamento e iluminadas a gás". Em 1916, entre os preparativos para a festa da Independência que ocorreria seis anos depois (no Ipiranga), a rua que em linha reta vai dar no museu recebeu o nome de D. Pedro I.

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