Aurélio Becherini/Estadão
Aurélio Becherini/Estadão

A história de Santana (e do Jardim São Paulo)

Bairro nascido no período colonial é considerado o povoado mais antigo da zona norte

O Estado de S. Paulo

03 Novembro 2015 | 19h45

Entre os primeiros documentos que denominam áreas da atual metrópole estão as cartas de sesmaria (terra não cultivada, cedida a terceiros pela Coroa portuguesa). Os principais beneficiários do sistema foram as ordens religiosas (com destaque para os jesuítas), que assumiram grande número de propriedades, posteriormente vendidas e loteadas. 

A Fazenda Sant’Anna, citada pela primeira vez, em 1560, funcionou como celeiro dos primeiros colonizadores. E deu origem a Santana. Desde 1673, tal porção de terra doada aos jesuítas por uma mulher chamada Inês Monteiro, conhecida como “Matrona”, foi a mais importante propriedade rural da Companhia de Jesus em São Paulo

Considerado o povoamento mais antigo a surgir na zona norte da capital, o bairro ainda é muito importante por conectar a região ao centro da cidade. Começou a tomar forma entre o final do século XVII e o começo do século XVIII, quando foi construído um aterro na várzea do rio Tietê – ele começava nas proximidades do Convento da Luz e terminava em Santana. Atualmente, corresponde à Rua Voluntários da Pátria. 

Naquele tempo, foi também erguida a Ponte Grande. Ela era usada para atravessar o volumoso rio, mas caiu em 1773, quando o trajeto passou a ser feito de canoa – era complicado, mas segui dessa forma até que em 1866 ergueu-se a solução definitiva, um viaduto metálico. 

Transformação. Em 1893, São Paulo passava por problemas de abastecimento de água. Com o crescimento da cidade, a estrutura de captação não era suficiente para toda a população. Foi assim que surgiu a Estrada de Ferro Cantareira. Também chamada de Tramway, em referência à empresa canadense responsável pelas instalações, a linha tinha como objetivo transportar materiais para a construção da Companhia Cantareira de Águas e Esgotos. Para isso partia da estação Tamanduateí, no centro, com destino à Cantareira.

De início, o veículo não transportava passageiros, mas alguns moradores resolveram pegar carona no trenzinho e uma coisa levou à outra: ele virou o primeiro meio de transporte público de Santana e também contribuiu fortemente para uma nova configuração do bairro, que de certa forma abandonava o isolamento, conectando-se ao centro da cidade de um modo mais eficiente. Em 1965, após sete décadas de serviço e milhões de passageiros transportados, toda a linha Tramway foi desativada. Duas mil pessoas eram transportadas por dia, em média, mas o movimento não foi suficiente para cobrir as despesas mensais da companhia.    

Jardim São Paulo. Entre os vários bairros da zona norte que compõem o distrito de Santana sobressai o Jardim São Paulo, fundado em 1938 a partir de chácaras de portugueses que cultivavam flores e hortas. Trata-se de uma área residencial de alto padrão, com boa qualidade de vida e que se desenvolveu ao redor da Avenida Luiz Dumont Vilares. 


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