Alexandre Pimenta/Pirituba.Net
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A história de Pirituba em sete tópicos

A paisagem rural aos poucos foi dominada por fábricas e loteamentos residenciais

O Estado de S. Paulo

31 Agosto 2015 | 19h04

Quando a estação de trem de Pirituba foi instalada em um pedaço de zona rural, em 1885, a história do povoado começou a tomar corpo. Durante muito tempo, a paisagem consistia basicamente de cafezais, pastos e matas. Com o progresso do café, viriam as indústrias e os novos moradores, entre eles muitos imigrantes japoneses, espanhóis, ingleses, russos, holandeses e húngaros. Nova transformação urbana ocorreria nos anos 1970, com loteamentos mais chiques ou mais populares.

1. Mina de ouro no Pico do Jaraguá

Nem mesmo um sinalzinho desse povoado existia no século XVI, provavelmente, quando no Pico do Jaraguá os exploradores descobriram a primeira mina de ouro do Brasil (antes mesmo de Minas Gerais).

2.Área rural

No início do século XIX, porém, a área em que se desenvolveu o distrito e o bairro de Pirituba já era ocupada pela Fazenda Anastácio, onde havia plantações de café e de chá. Moravam na região cerca de 250 pessoas. Mais adiante, essa mesma fazenda seria comprada pelo brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar e sua mulher, Domitila de Castro – a Marquesa de Santos. Eles provavelmente mudaram o nome para Fazenda Tobias.

3.A estação de trem

A influência dos fazendeiros fez com que, em 1885, fosse inaugurada a estação de Pirituba da São Paulo Railway, pela qual eram transportados imigrantes e carregamentos de café. Ela existe até hoje (linha 7, rubi, da CPTM) e marcou a origem da vila, que parou de crescer em sua decadência.

4.Terras fatiadas

No começo do século XX, as terras da Fazenda Anastácio foram divididas. A Cia. Armour do Brasil ficou com o pedaço da plantação de chá e café. Depois ela as venderia para a investidora Novo Mundo, que daria origem aos bairros de São Domingos até hoje confundidos com os de Pirituba. O desenvolvimento de Pirituba propriamente dito surgiria pelas mãos da Cia. City de Desenvolvimento, que ficou com a área destinada à criação de gado e a loteou, atraindo moradores e fábricas para a região.

5.Fábricas

A partir de 1898, instalaram-se no povoado a Fábrica de Colla Paulista, a Cia. Armour do Brasil, a Fiat-Lux, o Lanifício Pirituba, a Cia. Anglo Brasileira de Indústria de Borracha, a Gessy-Lever e a Refinações de Milho Brasil (da marca Maizena). Boa parte dos moradores têm suas histórias de vida até hoje diretamente ligadas à industrialização do bairro.

6.Pirituba era da Freguesia do Ó

Como distrito, Pirituba existe desde 1935, quando já contava com mais de 5 000 residentes. Antes, fazia parte da Freguesia do Ó.

7.Anos 1960 e 1970 (e hoje)

Até os anos 1960, boa parte do distrito de Pirituba ainda carecia de serviços públicos básicos, como água e luz. Os moradores se mobilizaram e chegaram a tentar uma emancipação, acabaram recuando, mas a prefeitura passou a dedicar mais atenção à região. Já na década de 70, ao mesmo tempo em que a Cia. City começa a lotear empreendimentos de alto padrão, tem início um período de crescimento desordenado em que o planejamento urbanístico do distrito e do bairro se perdem. Surgem vários pontos mais empobrecidos, loteamentos populares e favelas que atualmente contrastam com as partes baixas em que famílias de classe média ocupam imóveis de alto padrão, como os das City Pinheirinho e Recanto Anastácio.

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