Kenji Honda/AE
Kenji Honda/AE

A história da Vila Leopoldina

A trajetória do bairro desde que era um aglomerado de chácaras em terreno pantanoso e até virar polo de condomínios de alto padrão na zona oeste

O Estado de S. Paulo

28 de setembro de 2015 | 16h15

No século XIX, a Vila Leopoldina era parte de um sítio chamado Emboaçava que seria vendido para jesuítas alemães e, aos poucos, estaria coalhado de chácaras de padres. Até quase a metade do século XX, o bairro desenvolveu-se lentamente. A água potável só chegou na década de 1950, junto com o telefone público e o primeiro cinema de rua do bairro. 

De região de chácaras e terrenos pantanosos, a Vila passou a sediar muitas olarias, depois galpões industriais e, há mais ou menos dez anos, tem visto seu perfil residencial ser contornado com mais força. 

Veja a seguir alguns dos principais momentos históricos da Vila Leopoldina, que durante muito tempo foi só "um pedaço da Lapa", mas conquistou, devagar e bem aos poucos, sua independência.

1. Sítio Emboaçava

A Vila Leopoldina, parte de Emboaçava, desde 1827 pertencia a João Correia da Silva. Na época, a região era conhecida como Várzea dos Correias. Jesuítas de origem alemã adquiriram a área e nela construíram uma grande casa para morar. 

2. O primeiro loteamento...

...da região ocorreu em 1894 quando a empresa que havia adquirido as chácaras dos religiosos "alugou barcos para os futuros compradores conhecerem os lotes passeando pelo rio e participando de um piquenique". No final de 1926, o retalhamento de outros 500 mil metros quadrados seria promovido pela incorporadora Siciliano & Silva com parceria com o empresário Antônio Vilares. 

3. Rifa entre amigos

O Estado de 20 de abril de 1895 listava os ganhadores da "Rifa Entre Amigos". Sorteadas, essas pessoas tinham direito a terrenos na Villa Leopoldina. O anúncio do jornal chamava os contemplados a comparecer na Casa Steiner, na Rua dos Andradas, para pegar suas escrituras.

4. Pântano

Era um bairro de olarias, de terreno pantanoso e ruim para construir e morar. Até que na década de 1950 foi estabelecido ali um complexo industrial. Grandes indústrias transformaram a atividade econômica e a vida do bairro.

 

5. Ceagesp 

O nascimento da Ceagesp deu um novo impulso à região. Foi em maio de 1969 que a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo surgiu, resultado da fusão de duas empresas mantidas pelo governo do Estado de São Paulo: o Centro Estadual de Abastecimento (CEASA) e a Companhia de Armazéns Gerais do Estado de São Paulo (CAGESP). 

6. Alto padrão

Desde a década de 1990 e até o fim dos anos de 2010, houve uma debandada das fábricas, atraídas por melhores incentivos fiscais em outras regiões do estado. Os donos dos terrenos estavam vendendo, aos montes, seus galpões. Era uma resposta à demanda da expansão imobiliária na cidade. Para as construtoras, era infinitamente bem mais vantajoso negociar os grandes espaços com um só dono do que empreender a desapropriação de vários imóveis. Além disso, o bairro é valorizado por sua localização: fica no encontro das marginais Pinheiros e Tietê e perto da USP. Depois, viria ainda o Parque Villa Lobos. Teve início assim a onda de condomínios de alto padrão, que continua existindo até hoje, tornando as ruas mais congestionadas e cheias de moradores que precisam de mais e mais serviços de qualidade (escolas, comércio, espaços culturais e de lazer).

7. Hollywood paulistana

Hoje, a paisagem se transforma rapidamente. Além de ver surgir condomínios de apartamento em terrenos industriais, o bairro também virou polo de agências de publicidade, produtoras de conteúdo e estúdios de fotografia e de cinema. Essas empresas aproveitam o espaço generoso dos antigos galpões para montar suas oficinas. Veja mais detalhes nesta reportagem do suplemento Seu Bairro, publicada em 2010.

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