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A história da Barra Funda

O primeiro prefeito de São Paulo, o primeiro bonde e outras marcas na trajetória do bairro

O Estado de S. Paulo

08 de setembro de 2015 | 19h12

O retalhamento da Chácara do Carvalho, no começo do século XX, deu origem ao bairro da Barra Funda. Ele surgiu no pedaço mais “brejoso” da propriedade. Naquele tempo, muitas terras eram loteadas, em resposta à ocupação, urbanização e modernização da cidade e na esteira do café, da imigração e das indústrias. Tudo muito rápido, sobretudo quando os proprietários percebiam a valorização dos terrenos. Essa área, especificamente, pertenceu ao conselheiro Antônio Prado, primeiro prefeito de São Paulo na chamada República Velha. Seu mandato durou de 1899 a 1911. A seguir, acompanhe alguns destaques da trajetória do bairro.

1. 1890: Antônio da Silva Prado começou a retalhar sua chácara em 1890, ficando ele mesmo com um pedação de 100 000 metros quadrados. A casa grande em que viveu de 1892 a 1927 foi projetada e construída pelo italiano Luigi Pucci, o mesmo que desenhou o museu do Ipiranga. No terreno ele criou cavalos puro-sangue e até vacas. O palacete Existe até hoje e é ocupada por uma escola (Al. Barão de Limeira, 1379).

2. Industrialização: com a industrialização e a passagem dos trilhos da São Paulo Railway, a Barra Funda passou a ser, junto com o Brás e a Moóca, um desses bairros que misturam fábricas e moradias e que tinham “um traçado urbano específico, onde a rua desdobrava-se, multiplicava-se em vilas, passagens, vielas, ruelas e pátios”, escreveu a urbanista Regina Meyer.

3. Bonde: a primeira linha de bonde elétrico de São Paulo foi inaugurada em 7 de maio de 1900. Saía do largo de São Bento e terminava no fim da Barão de Limeira, na Chácara do Carvalho.

4. Theatro São Pedro: foi construído em 1917, com intuito de ser um inovador cineteatro, com 1500 lugares e dois andares de balcões. Na época foi considerado uma das mais luxuosas salas de espetáculos de São Paulo. Desde 2006, quando exibiu “O Guarani”, de Carlos Gomes, é referência em montagens de ópera na cidade. 

5. Crise de 1929: com a crise e a decadência do café, algumas indústrias começam a fechar. A elite deixa, aos poucos, de viver nos Campos Elíseos. A Barra Funda entra em decadência.

6. Anos 1940: A cidade ia de 1,3 milhão para 2,8 milhões de habitantes. Eclodiria a guerra. O nacionalismo era reforçado. O Brasil rompeu com o eixo, houve racionamento, exercícios de blecaute, a vida dos imigrantes – de um lado e de outro – também ficou mais complicada. (...). Depois de uma fase glamorosa daquela região centro-oeste da cidade, que inclui Campos Elíseos, Centro e Santa Cecília, o prefeito Prestes Maia (conhecido por seu plano de avenidas, por querer soterrar os rios e rasgar ruas para os carros) vinha atropelando tudo e desapropriando casarões e palacetes. As pessoas começavam a experimentar um novo jeito de morar (em “arranha-céus” de sete andares). “A essa altura, todo o bairro do Campos Elíseos experimentava a decrepitude que aceleradamente o igualava à vizinha Barra Funda”, escreveu Roberto Pompeu de Toledo, em “A Capital da Vertigem” (Ed. Objetiva). 

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