A fuga do ponto de vista da psiquiatria

Análise: Daniel de Barros

É PSIQUIATRA DO INSTITUTO DE PSIQUIATRIA DO HOSPITAL DAS CLÍNICAS (IPQ-HC), O Estado de S.Paulo

17 Agosto 2012 | 03h01

Quando estamos em meio a situações de grande sofrimento mental é muito comum termos o desejo de desaparecer. Se, por um motivo ou por outro, a pessoa se vê incapaz de lidar com o problema, impossibilitada de sair do conflito, tal desejo pode atingir níveis patológicos, eventualmente levando a episódios de fuga dissociativa.

Os transtornos dissociativos são análogos ao que antigamente se denominava histeria, nos quais ocorrem amnésias, alterações da consciência, perda de identidade e do controle dos movimentos, como paralisias. O sujeito pode não ter muito sintomas, além do comportamento de se deslocar a esmo, sem destino ou propósito, afastando-se da situação estressante e das pessoas envolvidas nela. É muito comum que, quando localizadas, as pessoas sintam-se deprimidas, envergonhadas e eventualmente até agressivas, por serem forçadas a novamente lidar com o problema do qual tentavam, inconsciente e inutilmente, fugir.

Talvez seja isso o que tenha acontecido com David. Além disso, seu pai diz ter identificado sinais de depressão que fazem parte do final da fuga. Se de fato for diagnosticada a depressão, é importante garantir tratamento adequado. Mais do que isso, o apoio da equipe, dos amigos e da família é essencial para auxiliá-lo a lidar com a situação, para que possa superar o episódio e se reerguer da lona.

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