Werther Santana/AE
Werther Santana/AE

'A ficha ainda não caiu', diz filho e irmão de vítimas atropeladas

Em velório, ele disse que estrago está feito e pede 'consciência' a motoristas

Pedro da Rocha , estadão.com.br

19 de setembro de 2011 | 08h17

SÃO PAULO - "A ficha ainda não caiu", disse o palestrante motivacional Rafael Baltresca, no velório da mãe e da irmã, ambas vítimas de um atropelamento na calçada em frente ao Shopping Villa-Lobos, no Alto de Pinheiros, zona oeste da capital, na noite de sábado. O motorista do Golf preto que matou as mulheres, Marcos Alexandre Martins, de 33 anos, aparentava estar bêbado, segundo a Polícia Militar.

 

"Ele interrompeu a vida de uma mulher de 28 anos, que tinha tudo pela frente. Minha irmã era advogada, trabalhava com a Justiça, para fazer justiça. Espero que agora ela seja feita", falou Rafael, se referindo a advogada Bruna Baltresca, de 28 anos, uma das vítimas. Ele morava com Bruna e a mãe, a dona de casa Miriam Afif José Baltresca, de 55 anos. O pai da família faleceu há sete anos, vítima de um Acidente Vascular Cerebral (AVC).

 

Rafael quer que o atropelador responda pelas mortes, "ele tomou a decisão de dirigir bêbado, tem agora de assumir a responsabilidade pelo que fez". No entanto, diz ele que o dano já está feito, e as medidas não têm que ser tomadas depois que as tragédias acontecerem. "Não é com castigo que vamos resolver isso, mas com conscientização. O governo tem que fazer mais campanhas para mostrar que se dirigir embriagado, você pode sim matar alguém. É uma máquina em sua mão, quem for atingido não tem a menor chance", explicou.

 

A sala do velório, realizado no Cemitério do Araçá, na zona oeste, foi preenchida com fotos das duas e uma bandeira da igreja em que Miriam participava tocando violão, uma de suas paixões. "Ele sempre cuidou das duas, vivia para elas. Então vem alguém e faz o estrago que fez", desabafou a atriz Patrícia Pantaleão, de 29 anos, namorada de Rafael. "Mas acho que o atropelador também não conseguirá viver com o que fez", completou.

 

"Agora, com a ajuda dos amigos e dos parentes, ele tem que seguir em frente, mas é difícil. Família é isso, pai, mãe e irmã. Ele perdeu todos", disse Patrícia. Sobre o futuro, Rafael diz não saber como será. "Não penso na vida agora, porque é só um vazio", desabafou.

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