'A Favorita' ridiculariza agentes penitenciários, diz sindicato

Para presidente, Zezé - personagem vivida por Docimar Moreyra - passa imagem negativa dos trabalhadores de SP

Sandro Villar, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2008 | 15h56

Agentes penitenciários paulistas estão revoltados com a personagem Zezé, interpretada pela atriz Docimar Moreyra na novela A Favorita, da Rede Globo. Subornada por Flora (Patrícia Pillar) para prejudicar a presa Donatela (Cláudia Raia), a carcereira passa uma imagem negativa da categoria, segundo os agentes. A indignação é maior porque Zezé veste o uniforme dos agentes com o brasão e a bandeira do Estado de São Paulo. Além de protestar com e-mails encaminhados à emissora, eles também enviaram mensagens aos deputados federais e aos senadores. Também solicitaram ao presidente Lula que interceda junto à Globo, sugerindo mudanças no roteiro da trama. Para o presidente do Sindicato dos Agentes de Segurança Penitenciária de São Paulo (Sindasp), Cícero Sarnei dos Santos, apesar de ser fictício, Zezé está sendo um lixo para categoria. "Está explícito que é um achincalhe direto à categoria. Mandei ofício ao Lula, para ele interceder. A Globo precisa reavaliar a obra, pois ela está sendo muito prejudicial para nós." Com sede em Presidente Prudente, a entidade representa 23 mil profissionais. "Parte da sociedade pode achar que todo agente age como a Zezé. A novela passa uma imagem distorcida. O autor (João Emanuel Carneiro) se baseou em agentes mineiros, na novela usam nosso uniforme com o brasão e a bandeira. Isso não é ficção. Se é ficção, que usem outra logomarca nem que seja de Marte", ironizou. Segundo o sindicalista, a Globo justificou que é uma obra de ficção e que o autor tem liberdade para criar."A obra é ficção, mas o uniforme não é ficção", completou, acrescentando que a categoria não protestaria se o uniforme fosse outro.

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