À espera do sucesso e louco por skate

Ele havia sido vocalista da banda de rock Sparta, em Barueri, e tinha um sonho: voltar a fazer música. Na noite do dia 8, saiu de casa para tomar uma cerveja e comemorar o aniversário de um amigo. Não voltou. Baleado por desconhecidos em Santana de Parnaíba, Pedro Rafael da Silva Mattos, de 22 anos, morreu com quatro tiros em um ataque de desconhecidos que matou também seu amigo Pedro Turquetti.

17 de novembro de 2012 | 20h48

Pedro Mattos trabalhava na Technopark-Essilor, em Alphaville, e vivia com a mãe, Maria Aparecida, e duas irmãs, em Barueri, na Grande São Paulo.

 

Criado pela mãe, no convívio com os avós e os tios, Pedro gostava muito de skate, do programa de TV Pânico, de Bob Marley, Shawlin, Criolo e da banda Sublime. E curtia também a Nação Alviverde, torcida organizada do Palmeiras.

 

Pedro era tido pelos amigos como um jovem expansivo, que não escondia seus sentimentos. Costumava dizer a todos que adorava a mãe. Maria Aparecida lembra que havia poucos dias tinha presenteado o filho com um skate novo.

 

“Ele nem teve tempo para usar como gostava”, lamenta. De acordo com Márcio José da Silva, tio do rapaz, era um trabalhador, preocupado com a família e nunca teve qualquer envolvimento com polícia. “Ele trabalhava, registrado, em Alphaville”, diz.

Bombeiro levou 3 tiros e ainda foi atropelado

O assassinato de Osvaldo Piedade, de 44 anos, chamou muito a atenção, principalmente por ele ser um bombeiro, figura muito querida da população. No dia 18 de outubro, ele estava na porta de casa - não costumava sair muito- , em Artur Alvim, na zona leste, quando ocupantes de um Gol passaram atirando.

Sua morte teve requintes de crueldade. O bombeiro foi baleado na barriga, na virilha e em uma perna. Piedade ainda foi atropelado pelos criminosos, que passaram com o carro por cima de suas pernas, como se quisessem ter certeza de que ele não sobreviveria.

 

Ele foi encaminhado por bombeiros para o Hospital Santa Marcelina, mas não resistiu aos ferimentos. Morreu na madrugada do dia seguinte, segundo a Polícia Militar.

Piedade estava afastado do trabalho havia 10 anos, por problemas psiquiátricos. E, por causa do longo período, ganhou direito à aposentadoria.

'Ele estava no lugar errado, na hora errada’

“Meu filho estava no lugar errado, na hora errada”, diz a bancária Mônica Santos, de 42 anos, ao tentar explicar a morte do filho Carlos Eduardo, o Duda. No dia 6, ele estava na rua com dois amigos próximo à sua casa, quando um carro passou atirando. Ele foi atingido na cabeça, no peito e na barriga, pouco antes das 21horas. Duda não sobreviveu.

O jovem estava voltando a pé da academia, onde treinava diariamente. Tinha saído mais cedo, por volta das 20h20, a pedido do pai, o gráfico Admilson, de 44 anos, que, preocupado, havia telefonado duas vezes para o filho. “O bairro estava escuro, sem luz. Naquela noite, um ônibus roubado perdeu a direção, atropelou três pessoas e bateu em um poste”, conta Admilson. “A violência estava correndo solta.”

A família Santos mora na Brasilândia, bairro da zona norte que se transformou em um dos pontos da “guerrilha” urbana. Apesar do clima, era uma das melhores fases da vida da família. Depois de oito anos, finalmente a construção da casa tinha acabado. Duda tinha um quarto só para ele, como sempre sonhou, equipado com uma TV de 42 polegadas. “Juntos carregamos muito tijolo nos fins de semana para levantar esse sobrado”, conta Mônica. “E Duda ajudou muito.” Se não tivesse morrido naquela noite, no dia seguinte o jovem levaria os documentos para se inscrever no curso de Administração de Empresas da Uninove, onde havia conseguido uma bolsa.

“Ele era motivo de orgulho”, diz o pai, a quem Duda sempre pedia a bênção. Também era considerado ótimo funcionário na loja onde instalava som, em Carapicuíba. “Ele só se atrasou um dia”, diz a dona, Janaina de Souza. “Foi quando veio a pé por causa da greve de ônibus.”

Mãe não queria que filho saísse. Ele não voltou

A dona de casa Maria de Fátima da Silva, de 40 anos, já havia pedido para o filho, Leandro da Silva da Conceição, de 16, não sair à noite. Andava preocupada com a moto que o rapaz, mesmo sem autorização, havia comprado em um leilão.

Não que o rapaz fosse irresponsável. Desde os 12 anos, ele ajudava o pai no trabalho como pintor. “Mas queria que ele esperasse até os 18 anos”, diz a mãe.

Na noite do dia 12 de agosto, o rapaz garantiu que só ficaria no portão de casa, na zona leste. Mas acabou indo para a balada com amigos. “Meu filho foi morto por um policial à paisana, que depois disse que ele estava com uma arma de brinquedo. O estranho é que essa arma nunca apareceu.”

 

Segundo Maria de Fátima, amigos do filho contaram que o policial, sem motivo, mandou Leandro correr. “Meu filho disse que não devia nada, que não ia correr.” O inquérito está em andamento. Ninguém foi preso. (V.F., P.P.,A.R.)

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