À espera de licitação, parques têm clima de insegurança

Frequentadores dizem que presença de GCMs não é suficiente; Prefeitura promete contratar outra empresa

ALINE NUNES/ JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

31 Outubro 2011 | 03h02

A Prefeitura promete realizar ainda hoje licitação para contratar uma nova empresa de vigilância para monitorar 18 dos 36 parques municipais de São Paulo. Na semana passada, o prefeito Gilberto Kassab (PSD) dispensou os serviços da empresa GSV, que mantinha seguranças em 107 postos espalhados pelas áreas verdes durante o dia e 95 à noite. Ontem, a reportagem visitou os Parques da Independência e Ibirapuera, na zona sul, e da Aclimação, na região central, e encontrou um clima de insegurança.

Sem o serviço terceirizado, a Prefeitura recorreu a 290 agentes da Guarda Civil Metropolitana (GCM). O sindicato da classe não gostou. "Ultimamente, diante de qualquer crise na cidade, a Prefeitura convoca a GCM. Foi assim com a greve dos coveiros e agora com os vigias", diz o presidente da SindGuardas, Carlos Augusto Souza Silva.

Segundo a Prefeitura, o policiamento está sendo feito com bases comunitárias, viaturas, motociclistas, ciclistas e GCMs a pé - no total, 41 viaturas são usadas a cada turno de 12 horas.

Ontem, no entanto, com exceção do Ibirapuera, a reportagem não encontrou equipes da GCM nos parques visitados. No Ibirapuera, policiais ficaram concentrados nos portões. "Estou aqui há 40 minutos e, no caminho, vi um GCM. Acho mais seguro contar com os vigias", disse a professora Tatiana Moreira, de 38 anos, que passeava de bicicleta. Vendedores ambulantes concordam. "Sem vigias, o Ibirapuera fica mais vulnerável a furtos. E a gente também", disse um deles.

Ambulantes do Parque da Independência endossam. Aos 71 anos, Valda Patrícia da Silva vende há 30 bebidas em um dos portões da área verde e diz que o espaço está "abandonado". "Em 30 anos, nunca vi o parque desse jeito, tão sujo. GCMs não dão conta e não me deixam trabalhar."

A sujeira encontrada pela reportagem no parque do Ipiranga confirma a reclamação. Latinhas de cerveja e pacotes vazios de bolacha se espalhavam pelo chão. Nas lixeiras, despejos recicláveis e não recicláveis estavam misturados.

Na Aclimação, as condições eram melhores, mas frequentadores estranharam a ausência de seguranças. "Quando entramos no parque, foi a primeira coisa que notamos", disse o professor de Filosofia Daniel Monteiro da Silva, de 44 anos.

Motivos. A Prefeitura alega que Kassab não dispensou a GSV sem razão. Segundo sua assessoria de imprensa, a empresa vinha acumulando multas pelo não cumprimento de itens do contrato. Entre eles, número de vigilantes menor do que o contratado e postos de segurança que não ficavam abertos em tempo integral.

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