A encomenda do prefeito

"Houve uma encomenda do gabinete da prefeita e nós executamos a encomenda." Quem disse isso à TV Estadão em 30 de agosto de 2012 foi o candidato Fernando Haddad, número 2 da Secretaria de Finanças da gestão Marta Suplicy, a respeito da criação das taxas que tanto desgastaram a petista. Troque-se o gênero do autor da encomenda e, hoje, a frase soaria natural na boca do atual titular da pasta, Marcos Cruz. "Houve uma decisão política da prefeita de aumentar a arrecadação e isso foi feito", reforçou o candidato de 1 ano e 2 meses atrás.

Análise: Iuri Pitta, O Estado de S.Paulo

31 de outubro de 2013 | 02h05

Desta vez, a decisão política é de Haddad, e o aumento do IPTU para os contribuintes pode avançar além de 2014. No primeiro ano da gestão Marta, também houve correção da Planta Genérica de Valores (PGV) e a instituição das alíquotas progressivas, "vacinadas" pela isenção concedida a imóveis mais baratos. Foi uma das medidas que reforçaram mapa político em que a periferia paulistana está mais próxima do PT, e o centro tende a ser antipetista.

Novamente, Haddad aposta nessa divisão da cidade e na alegação de que corrigir a PGV é seu "dever". De fato, houve valorização imobiliária de 2009 para cá. E, pelo placar apertado da votação, o prefeito não escancarou as portas da máquina para trocar cargos por apoio como já se fez tantas vezes. Um avanço.

Poucas horas depois, o prefeito viu o assunto do dia deixar de ser o IPTU e convocou entrevista para falar sobre a milionária sonegação cometida durante a gestão Gilberto Kassab, na pasta comandada por um aliado do ex-governador José Serra. Por ora, Haddad se viu menos cobrado pela elevação do imposto, mas ao longo da gestão vai responder mais vezes sobre a "encomenda" que, agora, é dele e de mais ninguém.

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