A denúncia é adequada?

SimO Brasil é um estado democrático de direito e qualquer território dentro dele está sujeito às leis do País. O que os estudantes da USP queriam ao invadir a reitoria era que aquele local não estivesse sujeito às mesmas leis, não estivesse sujeito à polícia. Com isso, colocaram o Código Penal no bolso e fizeram o que quiseram. Foram de encontro ao Estado.

O Estado de S.Paulo

06 de fevereiro de 2013 | 02h06

Uma das reivindicações deles era que, com a Polícia Militar dentro do câmpus, não seria possível fumar maconha. Isso é a maior prova de que se queria instituir ali um território dentro do território. O que eles fizeram era passível até de intervenção federal. Ou seja: o que a União poderia ter cobrado desses estudantes é muito pior do que a denúncia do Ministério Público.

Naquele ato, houve desobediência a muitas leis e a coisa só piorou quando a Justiça os mandou sair dali e eles desobedeceram. Então, parece-me razoável que o Ministério Público cobre e cumpra seu papel de fiscal. Cabe agora ao juiz decidir se acata ou não.

Não Faltou sensibilidade ao Ministério Público nesta questão. Não se pode tirar o diálogo da mesa e levar esses jovens para os tribunais. Tratá-los como criminosos é inaceitável, uma autêntica barbaridade. Ressuscita o Decreto-lei n.º 477 (conhecido como o AI-5 das universidades).

Sou contra criminalizar a atividade política, ainda que tenha sido conduzida de modo exagerado por parte do corpo estudantil. Aplicar advertências e suspensões, como a USP já fez, é de bom tom. A universidade é o lugar do diálogo, a porta de acesso da sociedade a seu futuro.

Não pode prosperar uma denúncia que subtraia da sociedade alguns de seus melhores cérebros, alunos de uma instituição prestigiosa. Há outras questões muito mais danosas que acabam passando em branco e a gente vê as pessoas livres por aí. Acho inadmissível prejudicar o futuro de estudantes, jovens com endereço fixo. Não que apoie invasão de reitoria. São fatos típicos do ativismo estudantil e que devem ser tratados com diálogo, não na dimensão penal.

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