Codo Meletti|Estadão
Codo Meletti|Estadão

A culinária de todo dia que a gente nem percebe

Vem a São Paulo a negócios? Quer viajar por sua própria cidade? Eis as dicas da semana

Daniel Fernandes, São Paulo

08 Fevereiro 2019 | 06h00


Caro leitor, 

certa vez, faz algum tempo já, chegou em minhas mãos um belo livro-reportagem cujo título era ‘Imigrantes invisíveis: a história da comunidade boliviana em São Paulo’. O livro infelizmente não foi lançado comercialmente, mas o seu título - para ficar apenas nele - é belo, poético até, e apresenta uma realidade difícil de encarar: talvez não devêssemos ignorar a presença deles, os imigrantes, no nosso cotidiano.

Os chamados, por generalização, ‘árabes’ que chegaram faz muitos e muitos anos ao País e a São Paulo, não são mais invisíveis. Mas já notou que a sua culinária, de certa forma, é? Por ser diária, cotidiana, se apresenta como invisível. Por ser trivial, plenamente adaptada ao nosso dia a dia, não é encarada com a importância que deveria ter. Por estar à distância de um clique no aplicativo ou de uma ligação para o delivery, deixou de ser um passeio.

É exatamente isso - quanta pretensão - que eu gostaria de mudar. A culinária árabe dá um passeio e tanto. Vamos começar pelos novos? 

Na rua Augusto Cantu, no Butantã, funciona um Food Park (sim, eles ainda existem) em que você vai encontrar um trailer chamado Basma. Tem falafel, kebab de kafta… uma festa para o paladar. Ele é comandado pela marroquina Basma El Halabi. Se quiser saber mais sobre ela e novos imigrantes que se sobressaem (se tornam menos invisíveis) na cidade por meio da culinária, tem uma matéria muito interessante do Paladar.

Agora, de volta ao passado, não posso deixar de citar - e recomendar - a esfiha aberta de carne da Casa Garabed. No tradicional restaurante armênio, fundado em 1951, essas esfihas são assadas no forno a lenha e vem estalando de quentinha. Assim, faço das palavras de Lucinéia Nunes, repórter do Divirta-se, as minhas: “Vale cada minuto de espera”. Ah, se resta alguma dúvida, a esfiha foi considerada um dos 100 melhores pratos de SP pelo Paladar em 2017/2018.

Na mesma lista que elegeu a esfiha da Casa Garabed, aliás, aparece o falafel recheado com coalhada do Pita Kebab. Sua massa, de ótima textura, encontra sempre um tempero perfeito. Impossível resistir. 

Para encerrar esse passeio gastronômico, eu indicaria ainda o Carlinhos e seu Arais no Pari e a Esfiha Juventus, na Mooca. Acabei esquecendo de falar dela no texto sobre futebol aqui na nossa Supercoluna sobre São Paulo. O desafio da casa - mostrado faz muito tempo nesta reportagem do PME - é um exemplo de como em São Paulo tudo precisa se transformar… para não correr o risco de ficar invisível.

 

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