Capítulo 06

A cozinha árabe de Antonio, Gabriel, Bruno, Ricardo, Goytá, Eduardo...

Vem a São Paulo a negócios? Quer viajar por sua própria cidade? Eis as dicas da semana

Daniel Fernandes, São Paulo

15 de fevereiro de 2019 | 06h00

Caro leitor,

eu estava errado. Na semana passada, afirmei que a culinária a que nos acostumamos chamar de árabe era invisível por ser diária, cotidiana, e estar à distância de um clique no aplicativo ou ligação no delivery. Mas os leitores - e foram tantos - me mostram o contrário. Toparam o desafio sugerido por esta supercoluna e mostraram, nos comentários do post anterior, uma leva de outras tantas dicas de restaurantes cuja especialidade é esfiha, kibe e falavel. E que valem o passeio.

Desta vez, nesta minha jornada solitária por São Paulo, ganhei a companhia (ainda que virtual) de Antonio Irineu de Moura, que sugeriu aos demais leitores a Esfihas Dozza, uma legítima representante da comunidade armênia em Osasco, na Grande São Paulo. 

Em matéria de 2014 feita pelo Paladar, a casa é descrita como fundada pelo casal Dozza e Isabel Harutuniam, em 1956. E um amigo de armas intelectuais me disse ainda nesta semana que há uma unidade dela ao lado do Shopping Tamboré, portanto, pertinho da Castelo Branco. “Quando conheci, não resisti, indo para Sorocaba desviei e comprei para levar para minha mãe”.

Na mesma reportagem, conhecemos um pouco mais da sugestão feita por Gabriel Gananian. A Effendi foi fundada em 1973 por Pedro e Verônica Deyrmendjian. Aliás, quem quiser se aprofundar mais nesta culinária que desperta tanto interesse, vale ler essa reportagem do Paladar e sua pergunta definitiva a ser respondida: ‘Armênia ou árabe? Aqui é paulistárabe.

Mas as dicas dos nossos leitores não parou por aí. O Bruno Porto lembrou da Esfiha Imigrantes, o Ricardo Correia lembrou do Halim, lá no final da Avenida Paulista, Goytá Villela falou de uma portinha que vende iguarias lá no Tatuapé: “Chama-se Helwany. Nem entendi o recheio, parece quibe cru que fica levemente cozido quando fritam. A textura é inacreditável”, escreveu.

Eduardo Castellano lembrou do Cedro do Líbano, lá no finalzinho da Pamplona e o Pedro Maurício Correia, citou o restaurante Jaber na Vila Mariana. Como eu me esqueci desses dois!

E teve gente que lembrou da Tenda do Nilo, restaurante que participou de uma seleção do Paladar que escolheu os melhores falafel de São Paulo. Para quem não sabe (será que tem alguém?), falafel é um bolinho frito de grão-de-bico e favas. Mas a maioria leva só grão-de-bico e uma série de temperos.

Vale ficar em casa. Eu tenho uma inveja bastante grande (risos) de gente que cozinha, cujo talento de preparar pratos dos mais variados tipos não é apenas isso. É o talento de reunir queridos e queridas à mesa durante algumas horas. Gente como a Patrícia Ferraz, que nos ensina a fazer essa deliciosa coalhada com figos e tâmaras. Vale ficar em casa, também, e tentar essa e outras receitas. Sugiro três: quibe assado, quibe aberto e o já citado falavel.

Antes de ir embora. Ao colocar o leitor em primeiro plano na coluna de hoje aproveito para deixar uma homenagem a Ricardo Boechat, que era quem melhor fazia isso no jornalismo atual. Um abraço, careca de todas as manhãs. Vamos tocar nosso barquinho por aqui. Sempre.

 

Daniel Fernandes

Daniel Fernandes

Editor de Suplementos

Formado em jornalismo em 1998, trabalha no Estadão desde 2004. Adora descobrir coisas novas na cidade de São Paulo, mesmo que falte tempo para conhecer tudo ao mesmo tempo agora.

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