'A comunidade não precisa de teleférico. Ele será prejudicial'

O arquiteto e urbanista Luiz Carlos Toledo passou quase dois anos enfurnado na comunidade, fazendo o Plano Diretor, depois de vencer o Concurso Nacional de Ideias para Urbanização da Rocinha, promovido pelo Estado. Nele, Toledo propunha medidas simples para resolver o problema de locomoção dos moradores da favela, sem necessidade de construção de teleférico, como quer o governo. "A Rocinha não precisa de um teleférico", diz.

Entrevista com

MÁRCIA VIEIRA / RIO, O Estado de S.Paulo

23 Novembro 2011 | 03h04

Por que o senhor é contra o teleférico?

Ele será prejudicial à Rocinha. Eu comparo a ideia à compra dos caça Mirage pela FAB. O equipamento é de tecnologia francesa, feito na França, com problemas de manutenção e de reposição de peça. Custa uma barbaridade de caro. O teleférico acabou de ser colocado no Complexo do Alemão. Um bom governante deveria avaliar a eficácia durante um tempo, antes de colocar em outro lugar. Além disso, a colocação das estações e dos postes que sustentam os cabos exigiria a abertura de uma via para passagem de carretas que levariam tudo isso. Fora as remoções para colocar os postes.

Qual a sua solução para o problema de locomoção na favela? O Plano Diretor prevê cinco planos inclinados. É muito mais simples e barato. Com o dinheiro que seria gasto no teleférico daria para construir dez creches na Rocinha e a escola técnica, como está no Plano Diretor. O PAC 2 prevê apenas uma creche.

O morador quer teleférico?

Espero que perguntem a eles. Para montar o Plano Diretor passei quase dois anos lá dentro. O que os moradores mais pediam era coleta de lixo e saneamento básico. Fizemos um projeto de lixo detalhadíssimo.

Entreguei para o governo do Estado e na Companhia de Limpeza Urbana (Comlurb). Como não dá obra, não foi colocado em prática.

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