A compositora que brilhou em reduto dos homens

Na década de 1960, a mesma em que Gustavo Baeta Neves usava um pseudônimo para assinar os sambas-enredo que compunha, pela primeira vez no carnaval do Rio uma mulher figurou como compositora de um samba-enredo: dona Ivone Lara. Ela é uma das autoras de "Cinco Bailes da História do Rio", apresentado pela Império Serrano em 1965.

O Estado de S.Paulo

04 de fevereiro de 2013 | 02h05

Até então, quem figurava como autor de suas músicas eram dois primos, mestre Fuleiro e Hélio. "Minha família me proibia (de assinar sambas).

Antigamente, a mulher sofria muito preconceito", relembra dona Ivone, que começou a compor aos 12 anos e integra a ala dos compositores do Império Serrano desde 1947.

Para sobreviver, ainda nesse ano, dona Ivone Lara tornou-se enfermeira e se especializou em terapia ocupacional. Chegou a trabalhar com Nise da Silveira no Serviço Nacional de Doenças Mentais. Reconhecida principalmente a partir da década de 1960, ela se tornou madrinha da ala dos compositores da Império Serrano em 1968 e gravou seu primeiro disco dois anos depois, chamado Sambão 70. Só em 1977 se aposentou do hospital para se dedicar integralmente à carreira artística. Compositora de 91 anos, compôs clássicos como "Sonho Meu" e "Alguém me Avisou".

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