'A comida tá acabando, a água, os remédios'

A pequena São José do Vale do Rio Preto está isolada e sem serviços essenciais

Flávia Tavares, O Estado de S.Paulo

15 Janeiro 2011 | 00h00

Um caminhão-baú abarrotado de mantimentos, água mineral, fraldas e colchões deixou ainda pela manhã a sede da Cruz Vermelha em Petrópolis, mas os voluntários não sabiam como chegar a São José do Vale do Rio Preto, a 50 km dali. A cidade vizinha, que tem 21 mil habitantes, contava até ontem quatro mortos, mas a situação era de isolamento e desabastecimento.

"Nosso desespero é que a comida está acabando, a água, os remédios, tudo. Por favor, se trouxerem algo, a gente mesmo se organiza e distribui, mas tragam comida para a gente", dizia, com olhos marejados, a enfermeira Letícia dos Santos, de 22 anos. "Não é porque a gente tem poucos mortos que nossa catástrofe é menor."

A terra tomou conta de tudo nas ruas que beiram o Rio Preto, que subiu mais de 5 metros. Ontem, o acesso aos bairros mais devastados era muito complicado e feito quase exclusivamente a pé. Um forte cheiro de gás exalava de algumas casas.

A prefeitura, debaixo d"água, pouco tem conseguido fazer - mas autorizou o voluntário Waldir Eggert a comprar dois caminhões de mantimentos para tentar distribuir aos desabrigados. "Se ninguém vier nos ajudar, São José vai sumir do mapa", previa Waldir. A cidade, que já foi um polo turístico e é hoje uma das principais produtoras hortifrutigranjeiras da região, responsável por 78% do caqui e 13% do chuchu do Estado do Rio, parece mesmo prestes a desaparecer.  

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Sem água potável, luz ou telefone, os moradores se ocupavam de tentar tirar a terra do caminho. O que sobrou de mantimento na cidade está sendo vendido a um preço muito alto. O maço de velas, que custava R$ 1, agora custa R$ 5.

Motocross. Segundo o vice-governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, o desafio mais urgente é dar acesso aos municípios e tirar pessoas que estão embaixo da terra. "A gente fez um plano de usar três helicópteros esquilo. Levaremos bombeiros, homens do Bope, Exército, Marinha, bombeiros da força de segurança para descerem de rapel nessas comunidades isoladas." Segundo Pezão, campeões de motocross da região também vão tentar chegar às áreas isoladas

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