A capital não tem um plano B. E ficou doente

Análise

Paulo Saldiva, O Estado de S.Paulo

06 de setembro de 2010 | 00h00

A situação vivida no mês de agosto mostrou para todos os paulistanos que o ar da capital paulista ficou muito ruim. Está pior do que no passado e temos a impressão de que vai ficar ainda pior.

Todos os modelos climáticos preveem que casos extremos de calor e tempo seco devem ocorrer mais vezes. O problema é que os remédios para mudanças de microclima são muito complexos. Envolvem toda a parte de ocupação do solo e também uma política de mobilidade. E São Paulo não tem um plano B.

Eu comparo isso a uma internação hospitalar. Entretanto, só vi gente se transformar e ficar mais saudável depois que adoeceu. Quando uma pessoa fica doente passa, curiosamente, a ter energia para mudar e se curar.

Como São Paulo ficou doente, isso cria condições para que se possa, de fato, acelerar o processo de criar um transporte coletivo eficaz e uma política que deixe de dar prioridade aos carros. A cidade precisa de um sistema que funcione para, em um caso de emergência como o do mês passado, ter a opção de aplicar restrições sem paralisar a cidade. Porque hoje isso é impossível.

Tomara que a situação drástica que a capital paulista atingiu dê suporte político para que o prefeito possa criar condições de uma restrição maior - caso ela seja novamente necessária.

COORDENADOR DO LABORATÓRIO DE POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA EXPERIMENTAL DA FACULDADE DE MEDICINA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (USP)

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