A cada hora de temporal, 3,4 mil são afetados

Número se refere a passageiros que tiveram voos atrasados, cancelados ou desviados

O Estado de S.Paulo

03 Março 2013 | 02h07

Os temporais em Congonhas, na zona sul de São Paulo, afetaram mais de 20 mil passageiros apenas em fevereiro - ou 3,4 mil pessoas a cada hora de chuva - ao se considerar o período em que o terminal ficou fechado e uma média de cem passageiros por voo - cerca de 66% da lotação de uma aeronave de 150 poltronas. A média de ocupação em janeiro nos voos domésticos foi de 79%, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Congonhas também é o terceiro maior terminal em movimentação do Brasil: 16,7 milhões de viajantes por ano. Perde só para Cumbica (32 milhões) e Galeão, no Rio (17,4 milhões).

De acordo com a companhia aérea Gol, que responde por 46% dos voos em Congonhas, a empresa tem 40 operações diárias no terminal entre 15h e 18h. São 26 pousos e 14 decolagens no período.

"Se o aeroporto fechar durante uma hora, cerca de oito voos da empresa serão alternados. Essas operações impactam imediatamente em atraso ou cancelamento de outras oito decolagens que seriam realizadas em Congonhas com as mesmas aeronaves", informa a companhia aérea, em nota.

"Além disso, os impactos envolvem outros aeroportos que teriam voos com destino a São Paulo, com trechos de até uma hora. Isso porque haverá saturação de aeronaves na aproximação da capital paulista, ocasionando um intenso tráfego aéreo na região", acrescenta o documento.

Procurada, a TAM - que responde por 44% de todas as operações em Congonhas - não quis se manifestar. Os outros 10% dos voos do aeroporto são divididos entre Avianca, Azul e a regional NHT.

Tem gente que paga para não ter o desconforto de um cancelamento por causa de um temporal, como o bancário Álvaro Barrote, que comprou uma passagem mais cedo. Outros têm a sorte de conseguir adiantar a viagem sem custo, como a agente de viagens Ana Lúcia Menin, de 44 anos.

"Tá se armando um temporal, né?", perguntou à atendente da companhia na tarde da terça-feira. Ela conseguiu a última vaga em um voo às 15h30 para Curitiba sem precisar pagar nada.

O arquiteto Thomaz Regatos, de 32 anos, mora em Belo Horizonte e veio para uma reunião em São Paulo. "Todo mundo no escritório falou 'vai embora logo que hoje tem chuva'", diz. Ele chegou mais cedo ao aeroporto e conseguiu antecipar um voo das 20h para as 16h.

Direitos. O transtorno para os passageiros nesses voos que são cancelados ou desviados "é o maior do mundo", segundo Ronaldo Jenkins, comandante e diretor técnico da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear). "Existe um prejuízo financeiro e de imagem das companhias. Embora o problema seja causado por um fato da natureza, tem gente que quer brigar, quer indenização."

A Resolução 141 da Anac manda as empresas reembolsarem integralmente os passageiros em caso de cancelamento ou de atrasos superiores a quatro horas.

Outro na fila do adiantamento de passagem em Congonhas, o advogado Pedro Cascaes, de 27 anos, que viaja pelo aeroporto quase semanalmente, contabiliza as perdas. "Também sou professor e dou aula em Curitiba no começo da noite. Mas, vira e mexe, tenho de ligar para a faculdade arrumar um substituto, porque nesta época do ano nunca sei se vou conseguir chegar. Já faltei por causa de atraso de voo", diz.

"Outro dia fiquei mais de quatro horas para pegar um voo por causa do mau tempo. E o atendimento da companhia foi péssimo", reclama Pedro.

Além de desviar voos para outros aeroportos, as companhias também optam, às vezes, por voltar ao aeroporto de origem e esperar a chuva passar.

Polêmicas. Desde antes do acidente com o avião da TAM que matou 199 pessoas em 2007, a operação de Congonhas com chuva já era polêmica. Um ano antes, um avião derrapou na pista e pilotos começaram a reclamar de problemas com o grooving, as ranhuras que facilitam o atrito dos pneus com a pista.

Por causa da tragédia, a então chefe da Anac, Denise Abreu, foi indiciada pelo Ministério Público Federal por ter liberado a pista molhada. A quantidade de voos no aeroporto foi reduzida e hoje só são permitidas 34 operações por hora. / NATALY COSTA

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.