A cada dia, só o Capão Redondo já tem 2 assassinatos

Bairro da zona sul da capital registrou 21 homicídios em apenas 10 dias

29 de junho de 2012 | 22h37

SÃO PAULO - O Capão Redondo, na zona sul, foi o bairro de São Paulo que concentrou a maior quantidade de homicídios na capital nos últimos 11 dias. Entre a 0 hora do dia 17 e as 23h59 do dia 28, morreram 21 pessoas na área do 47.º DP. Os dados são do Sistema de Informações Criminais (Infocrim). Em junho de 2011, morreram 38 pessoas no bairro.

A situação também foi violenta na região central. No 1.° Distrito Policial, na região Sé, foram assassinadas 12 pessoas nos últimos dez dias. Em junho do ano passado, não houve nenhum assassinato na região. "A situação em São Paulo é preocupante. Aqui no Capão, perdi sete conhecidos assassinados nos últimos dias", conta o padre Jaime Crowe, da Paróquia Santos Mártires, no Jardim Ângela.

Segundo moradores do Jardim Jangadeiro, também na região do Capão, a morte do PM Paulo Cesar Lopes Carvalho, de 40 anos, no dia 21, pode ter gerado uma resposta violenta. Oito pessoas foram mortas desde então por atiradores que agem de forma semelhante. A última vítima foi o copeiro Eleandro Cavalcante de Abreu, de 21 anos, na madrugada de quarta-feira, com tiros na cabeça, abdome e perna. Testemunhas contam que primeiro passou um Gol preto, com uma das placas tapada e outra fora de lugar, com dois homens com cordões de prata e ouro. Em seguida, outros dois homens com touca ninja vermelha e óculos escuros em uma moto XRE 300 atiraram contra o grupo onde estava Abreu, na Rua Abílio César. Atiradores tinham pistola com silenciador e espingarda calibre 12 cano serrado e recolheram as cápsulas deflagradas. "Tivemos de correr para não morrer", disse uma testemunha.

A morte de Abreu foi o estopim para a revolta dos moradores. Na noite de quinta, três rapazes incendiaram um ônibus intermunicipal e deixaram com o cobrador uma camiseta com as frases "saudade eterna", "justiça", "si continua matando nos continua queimando", "uma vida inocente que a polícia tirou" e "ass: a população". Um dos incendiários ainda fez um pedido ao cobrador: "entrega isso aqui (a camisa) para a imprensa".

Sem antecedentes. Abreu trabalhou em lanchonete no Itaim-Bibi, mas estava desempregado. Não tinha antecedentes criminais. Assustado com a morte do filho, o operador de máquinas Raimundo Marques de Abreu, de 47 anos, pretende mudar do bairro onde vive há cerca de dez anos. "Meus parentes em Itaquaquecetuba sempre disseram que aqui é perigoso." Na mesma noite em que Abreu foi morto, atiradores balearam outras duas pessoas, que conseguiram escapar. Moradores dizem também que vivem sob ameaça da PM, que determina toque de recolher após 22h. Procurada, a PM não respondeu até as 20h. / Bruno Paes Manso e William Cardoso.

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