A cada dia, 4 acidentes de coletivos deixam vítimas

Em seis meses, foram 749 casos na cidade; para especialistas, é preciso fiscalizar os motoristas com mais rigor

CAIO DO VALLE, O Estado de S.Paulo

31 Julho 2012 | 03h08

A cidade de São Paulo registra diariamente uma média de quatro acidentes com vítimas envolvendo ônibus municipais administrados pela São Paulo Transporte (SPTrans). Dados da empresa mostram que, no primeiro semestre deste ano, houve 749 ocorrências - 4% menos que as registradas no mesmo período do ano passado (781 casos).

Apesar da ligeira queda, especialistas ainda consideram o número alto. O urbanista e consultor de tráfego Flamínio Fichmann avalia que esse patamar é "extremamente" grave. "Revela que a cada ano cerca de 10% dos ônibus da capital se envolvem em acidentes com vítimas, o que, em termos relativos, faz dessa frota a mais perigosa de todas", disse.

Segundo ele, falta rigor na fiscalização e na punição de motoristas infratores, como, por exemplo, os que dirigem falando ao celular, fumando e acima do limite de velocidade.

Para o engenheiro Sergio Ejzenberg, mestre em Transportes pela Universidade de São Paulo (USP), se comparado à média nacional, o índice de mortes por ônibus em São Paulo é pequeno, cerca de três vezes menor. "Mas é claro que ainda pode melhorar bastante."

Para tanto, diz o especialista, é preciso promover melhorias nas condições de trabalho dos motoristas. "A jornada deve ser adequada para minimizar o estresse e tornar o comportamento deles mais tranquilo."

Pedestres. Além disso, comenta Ejzenberg, os motoristas devem ser conscientizados sobre a importância de se reduzir a velocidade e respeitar os pedestres - as maiores vítimas. O especialista destaca, no entanto, que o tempo de travessia na rua para quem está a pé também deve ser adequado, a fim de diminuir o risco de atropelamentos.

A SPTrans informou que, nos seis primeiros meses deste ano, foram contabilizados 340 atropelamentos. Houve queda em relação ao mesmo período do ano passado, quando houve 370 atropelamentos por ônibus. Ejzenberg credita a redução à campanha de proteção aos pedestres.

Embora não tenha sido atropelada, a autônoma Maria Brito, de 30 anos, teve a casa danificada por um acidente de ônibus no início deste mês, na Vila Prudente, zona leste. Um coletivo desgovernado destruiu parte da fachada. "É perigoso. A qualquer momento, qualquer um pode ser atropelado. Na rua, na calçada ou mesmo em casa", disse.

Segundo a SPTrans, em 2008 foi criado o Programa de Redução de Acidentes em Transportes, com o objetivo de "diminuir a quantidade e a gravidade" das ocorrências.

Vítimas. A empresa informou que "condutores envolvidos em acidentes são afastados preventivamente" e os ônibus, "lacrados e encaminhados para vistoria". No ano passado inteiro, houve 1.497 acidentes com vítimas, ante 1.466 em 2010.

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