A cada 3 dias, 2 fios de alta tensão caem na Grande São Paulo

Levantamento do Corpo de Bombeiros mostra que a Região Metropolitana registrou 92 casos de janeiro a 10 de julho

RAFAEL ITALIANI, O Estado de S. Paulo

08 Setembro 2014 | 02h00

SÃO PAULO - A cada dois dias são registradas três quedas em vias públicas de fios energizados que ficam pendurados em postes na região metropolitana de São Paulo, segundo relatório do Corpo de Bombeiros feito a pedido do Estado.

O balanço da corporação foi realizado entre o dia 1.º de janeiro e 10 de julho deste ano e registrou 92 ocorrências. O mês foi o mesmo em que uma pessoa morreu eletrocutada no Tatuapé, na zona leste, após um fio de energia cair sobre seu carro.

Na capital, onde houve 63 casos em 2014 dentro do intervalo de tempo do levantamento do Corpo de Bombeiros, a concessionária que faz o fornecimento de energia é a AES Eletropaulo. A empresa também é a responsável pela instalação dos postes usados por ela e diversas empresas de telecomunicações para pendurar fios.

Hoje, segundo a Prefeitura e as concessionárias, são 69 mil quilômetros de fios na rede aérea. Por ano, a concessionária lucra R$ 100 milhões com o aluguel dos postes. A empresa afirma que o lucro é usado para deduzir o valor da conta de eletricidade dos clientes.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, os fios energizados que se partem caindo sobre as vias públicas podem estar energizados com até 13 mil watts de potência. "Uma fiação elétrica quando cai libera uma grande quantidade de energia. Ela se dissipa e pode colocar fogo em um carro", explicou o capitão Marcos Palumbo, porta-voz do Corpo de Bombeiros.

Ainda segundo ele, quedas de galho, tempestades, obras e outras interferências podem fazer com que esses fios se partam. "O que verificamos nesses casos é que não são ocorrências causadas pela fiação. Geralmente são fatores externos que caem sobre o fio, como árvores, muros e construções irregulares. É um problema do crescimento desordenado da cidade", disse.

Enterramento. O problema dos rompimentos de fios energizados vem ao encontro de uma discussão da cidade: o enterramento da rede aérea das ruas da capital.

Hoje, apenas 40% dos fios na cidade de São Paulo estão no subterrâneo. A Prefeitura e as concessionárias envolvidas travam uma briga para saber de quem é a responsabilidade sobre o enterramento de fios - o alto custo é um grande entrave. A administração municipal repassa a responsabilidade para as empresas, e as concessionárias alegam que são reguladas por órgãos federais e dizem que as obras são de alto custo.

Mais cara. O presidente da Associação Brasileira de Distribuidoras Energia Elétrica (Abradee), Nelson Fonseca Leite, afirmou que, se não houvesse postes para pendurar os fios de energia e de outros serviços, a conta da eletricidade do consumidor final seria mais cara.

"O dinheiro do aluguel dos postes não fica com a concessionária. O dinheiro abate o valor da conta que é repassada para o consumidor. Se o poste não fosse compartilhado com outros serviços a conta seria mais cara", explicou.

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