A arte de se reinventar no picadeiro

No Dia do Circo, artistas se contorcem para continuar atraindo o respeitável público

Flávia Tavares, O Estado de S.Paulo

27 Março 2011 | 00h00

Piolin, o mais emblemático dos palhaços brasileiros, completaria 114 anos hoje. É em homenagem a seu aniversário que no dia 27 de março comemora-se o Dia do Circo. É também num esforço de manter a arte da lona e do picadeiro viva que os artistas reinventam suas performances, tentando preservar a magia.

A cidade de São Paulo tem poucos terrenos em que as lonas possam ser erguidas e uma variedade cultural que dispersa os paulistanos para outras arenas que não a do circo. Mas os novos artistas usam a criatividade para atrair o respeitável público. Uma das saídas é a união com personagens já conhecidos e queridos das crianças - como fez a Turma da Mônica com o Circo dos Sonhos, em espetáculo que estreou na semana passada.

"Criamos esse produto porque sentimos que o circo estava meio adormecido entre as crianças", explica Mauro Sousa, filho de Mauricio de Sousa e diretor do espetáculo.

A ideia foi unir uma abordagem contemporânea - com muita pirotecnia - com uma mais tradicional, trazendo os personagens da turma em atuações circenses, como o Cascão Equilibrista, a Magali Engolidora de Sorvetes e o Cebolinha Malabarista. Os artistas são do próprio Circo dos Sonhos.

Outra trupe que optou por continuar no picadeiro, mas com montagens mais modernas, foi a do Circo Vox. Com uma lona fixa há seis anos na zona sul, os fundadores enfrentam os obstáculos a quem ousa ser palhaço. Depois da dificuldade para encontrar um terreno e do sofrimento para atrair o público no início das atividades, quando 15 pessoas iam assistir ao show, o Vox ainda teve, em fevereiro, um drama com as chuvas. "Um belo dia, nossa lona amanheceu com nada menos que mil buracos", conta Paulo Cerello, o Gallo, que com a mulher, Elena, fundou o Vox. O capataz tapou furo por furo, a mão.

O Vox prepara para abril a reestreia do espetáculo Nostalgia. A montagem é mais uma prova do empenho em reinventar a arte circense. "Exibimos vídeos com depoimentos de grandes figuras do circo, como o palhaço Picoly e a trapezista Elza Wolf, e interagimos em cima disso", explica Gallo. O artista diz que muito da resistência das pessoas em ir ao circo é justamente por achar que vai encontrar um espetáculo brega, defasado. "A surpresa de quem vê um show moderno é enorme e positiva."

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