A arte contra a verticalização

Galeria de Pinheiros contesta construção de prédio comercial com intervenção artísticaObra. Melim fez murais na casa onde funcionava pizzaria

FILIPE VILICIC, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2010 | 00h00

Eduardo Saretta, dono da galeria Choque Cultural, em Pinheiros, zona oeste de São Paulo, adora o clima bairrista da região. "Conhecemos os moradores, o dono da padaria", diz. Por isso, ficou revoltado quando soube que a pizzaria na frente da sede do seu negócio, na Rua João Moura, foi vendida para dar lugar a um prédio.

"A verticalização de São Paulo é ruim", diz. "Pinheiros está cada vez mais perdendo esse clima pessoal, em que vizinhos se conhecem, se ajudam." Para ele, com os edifícios como o que substituirá a casa da pizzaria enfeiam a região e distanciam as pessoas.

Saretta, então, resolveu manifestar essa indignação. E da forma que melhor sabe fazer: por meio da arte. Para tanto, chamou Daniel Melim, especialista em painéis e estêncil (pintura sobre máscaras com imagens vazadas). Com a ajuda de colegas, ele tomou o imóvel que será demolido com imagens pelas paredes e outras intervenções, como um armário que está em posição de queda em um dos cômodos.

A iniciativa tem o apoio dos donos da pizzaria, que alugavam o imóvel. "Não queríamos mudar para outro canto, como tivemos de fazer", protesta a italiana Novella Ciscato, sócia do restaurante. "Viemos para cá justamente pelo ambiente bairrista e agora a paisagem está mudando."

A instalação ficará no local até 27 de junho. O público pode conferir a obra gratuitamente, às sextas e sábados, entre 13 e 18 horas. Em 2 de julho, o imóvel será entregue para a construtora que o demolirá.

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