Marcio Fernandes/AE
Marcio Fernandes/AE

A agenda atribulada das misses na cidade

Até dia 12, candidatas ao Miss Universo terão jogado futebol, visitado prefeito, dançado samba

Paulo Sampaio, O Estado de S. Paulo

29 de agosto de 2011 | 19h40

SÃO PAULO - Vinte minutos de futebol entre misses foram suficientes para atrair nesta segunda-feira, 29, ao Estádio do Pacaembu, na região central de São Paulo, dezenas de repórteres, fotógrafos e cinegrafistas dispostos a cobrir o "furo". Previsivelmente, a maioria dos profissionais era composta por homens.

Ao divulgar a superlotada agenda das 89 candidatas ao Miss Universo 2011 - assunto que a internet parece não dar conta de esgotar -, os organizadores frisam que é a primeira vez em 60 anos que o concurso ocorre no Brasil, é a primeira vez que elas jogam bola, é a primeira vez que elas se encontram com o prefeito Gilberto Kassab (sem partido), a primeira vez... O concurso será no dia 12.

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O futebol concorreu com a visita de outro grupo de candidatas à Escola de Moda do Fundo Social de Solidariedade, na companhia da primeira-dama do Estado, Lu Alckmin.

 

Comunicados para imprensa sempre terminam com uma exclamação. Amanhã, algumas das 89 misses vão visitar os Meninos do Morumbi, "organização que usa a música como ferramenta para tirar crianças das ruas". O texto enviado também diz: "Veja como essas talentosas crianças ensinam às concorrentes alguns dos seus passos de dança!".

 

 

Jogo. A partida no Pacaembu contou com a participação do ex-lateral direito Cafu, que esteve na invejável posição de técnico das moças. "Isso, isso, vai dando trote para aquecer", orienta o ex-jogador, enquanto elas dão gritinhos agudos, erram a bola e jogam os cabelos lisíssimos para lá e para cá. "Quanto tempo leva para aquecer?", pergunta um dos organizadores. "Já tá bom", responde Cafu, menos de três minutos depois.

 

Divididas em dois times de 11 jogadoras cada, as integrantes do Glamazones (nome do time que mistura glamour com Amazônia) vestem camisas verde-limão e shorts azuis e as Golden Girls, dourado e branco.

 

O secretário municipal dos Esportes, Bebeto Haddad, foi prestigiar as misses. A declaração: "É uma alegria receber as moças mais bonitas do mundo em um equipamento (estádio) histórico, de 1940".

 

Jun Sorho, correspondente de uma TV das Filipinas, "pela primeira vez" assistindo a uma partida de futebol (ele leva em conta partidas masculinas), explica que em seu país o esporte não é tão popular. "Lá é o basquete", diz Jun, que mede 1,60 metro.

 

Plástica. Priscila Machado, a Miss Brasil, responde que sim, operou o nariz. "Ele era projetado de um modo que eu não gostava." Ao se referir às outras candidatas, ela o faz pelo nome do País. Diz que está se dando muito bem com Portugal, Austrália, Bolívia e Irlanda. "Angola também é muito gente boa."

 

Cayman e Brasil fazem uma boa dupla nos treinos. "Sempre tivemos ótimas relações com os brasileiros", diz Cayman, com um sorrisinho de duplo significado. "Tenho certeza de que o concurso não nos fará rivais."

 

Itália foi internada no sábado, "problema de saúde, coisa pessoal, a gente não divulga", mas "já está ótima, participando de todos os eventos", informa a organização.

 

Alguém conta que Colômbia foi fotografada sem calcinha em um outro evento e a foto foi parar na capa de um jornal. A organização se reuniu para ponderar se manteria a credencial do repórter. Resolveram que sim. "As regras do concurso são muito rígidas. Nossa função é zelar pela integridade das meninas", diz Brenda Mendonça, relações públicas do evento.

 

Mas a culpa é do fotógrafo? "Não entendo o que você diz", desconversa Brenda.

 

Brasil faz um gol de falta e outro graças a passe da Costa Rica. O segundo gol é dela. As duas são consideradas por Cafu as melhores jogadoras do confronto. No fim do jogo, realizado sob um sol de 30º C, as desmanteladas chapinhas parecem mais eriçadas que a plateia masculina: México, que não é boba, dominou a dela com "una colita de caballo", o chamado rabo de cavalo.

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