A 200 metros do Anhembi, hotel vira quartel-general do samba paulistano

Antigo esqueleto, prédio agora serve como camarim gigante para integrantes de todas as escolas; 1.560 hóspedes têm relação com a folia

BRUNO RIBEIRO, O Estado de S.Paulo

09 de fevereiro de 2013 | 02h03

As escolas de samba de São Paulo só se transformam no conjunto que fará o desfile quando chegam à concentração do sambódromo. Mas o verdadeiro "quartel-general" da folia paulistana fica a cerca de 200 metros dali. É o hotel Holiday Inn do Anhembi.

Se durante 30 anos o prédio do hotel foi um conhecido esqueleto de concreto no coração do complexo de eventos da zona norte da capital, ontem, como ocorre desde que foi inaugurado em 2004, ele serviu como camarim para todas as escolas que participaram da primeira noite dos desfiles de São Paulo.

E chamar um hotel inteiro de "camarim" não é exagero. De meio-dia até o começo dos desfiles, cada canto do hall de entrada tinha montes de fantasias e malas de viagem de pessoas que esperavam até uma hora na fila para fazer o check-in. A montagem das fantasias, claro, não é feita ali. As escolas alugam salões de reunião, trazem maquiadores e ficam a tarde toda preparando seus integrantes.

"Sempre alugamos os salões. Neste ano, foram quatro. Aqui, a gente prepara o pessoal da comissão de frente e os destaques. No ano passado, pedimos um coquetel do hotel. Mas neste ano preferimos não ter", diz a coordenadora de fantasias da Dragões da Real, Marina Ielo, de 37 anos. O hotel tem 19 salões ocupados pelas escolas.

Neste carnaval, 1.560 pessoas estão hospedadas. Mas nem o hotel sabe dizer ao certo quantas pessoas circulam por ali na festa. É que o hotel é um ponto de encontro, por causa da preparação nos camarins. Muita gente vem de casa, para no hotel e só então segue para o desfile.

Mesmo assim, a maior parte dos hóspedes é de paulistanos, que ficam lá por praticidade. É a nata do carnaval: diretores de escolas, destaques convidados pelas agremiações, celebridades e pessoas que pagam pelas fantasias mais caras.

"É a primeira vez que vou desfilar. Fui a um ensaio da Rosas de Ouro e foi paixão instantânea. A escola que recomendou que eu ficasse aqui", diz a administradora de empresas Ira Neri, de 37 anos, que seria destaque da Rosas no desfile de ontem.

O clima do hotel, entretanto, não é propriamente de festa. Todo mundo tem algo a resolver e sempre com urgência. As dezenas de pessoas ao celular estão falando sobre algo relacionado ao desfile: "As camisetas da comissão não chegaram ainda", "Filha, sua fantasia está com a sua irmã. Ligue para ela quando você chegar" ou "Quebrou o quê? Tá bom, estou indo aí na concentração" são frases que dá para ouvir por ali dos hóspedes-sambistas.

Estrutura. O hotel tem 780 apartamentos e, segundo o gerente Flávio de Andrade, um carioca que se diz adorador do samba paulistano, 90% deles estão ocupados. "Começamos as reservas em novembro."

O hotel vive dos eventos ligados ao complexo do Anhembi. Salão do Automóvel, Fórmula Indy e a feira Couromoda lotam o prédio tanto quanto o carnaval. A diferença, segundo Andrade, é que no carnaval são construídos dois camarotes vips no andar térreo e há preocupação em servir coquetéis nos salões alugados pelas escolas. Hoje, a confusão organizada do hotel deverá ser maior. As pessoas que desfilaram ontem devem fazer check-out até a hora do almoço. Mesmo horário em que começam a chegar os integrantes das escolas que vão desfilar nesta noite.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.