A 18 dias da posse, Haddad tem 1ª baixa no secretariado

Tripoli desiste de integrar novo governo; segundo ele, Secretaria do Verde precisa de alguém com perfil 'mais administrativo'

ADRIANA FERRAZ, DIEGO ZANCHETTA, O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2012 | 02h04

Vereador mais votado de São Paulo, Roberto Tripoli (PV), de 60 anos, desistiu de compor o governo de Fernando Haddad (PT) antes mesmo de assumir o cargo. Anunciado há 15 dias como futuro secretário municipal do Verde e Meio Ambiente, Tripoli argumentou falta de capacidade para resolver os problemas de gestão.

"Adoraria ser secretário, mas é preciso uma pessoa com caráter mais administrativo para reformular toda a gestão. Estimo que só esse serviço demore de seis meses a um ano", disse Tripoli. Para o parlamentar, a desistência não é nenhuma vergonha e nada tem a ver com sua relação com Haddad, que ele considera boa. "Não acho ruim desistir, pelo contrário. Mostra que não tenho apego a cargos e escolhi cumprir a proposta pela qual fui eleito com a maior votação da cidade", afirmou.

Nos bastidores, porém, parlamentares e integrantes do governo de transição arriscam outros motivos para a desistência: o alto volume de trabalho, que teria assustado Tripoli.

À frente da secretaria, o vereador precisaria cumprir agendas até nos fins de semana, além de prestar esclarecimentos quase que diários. Além disso, como secretário, teria de apoiar o fim da taxa de inspeção veicular, defendida por Haddad na campanha eleitoral e combatida por ele.

Visitas. Tripoli começou a colocar empecilhos para assumir o cargo depois de realizar três visitas à secretaria no início de dezembro, logo após ser confirmado secretário. O vereador diz ter feito um verdadeiro raio X da pasta, que revelou, entre outros problemas, o baixo salário pago aos servidores da área.

"Fui a todos os departamentos, falei com todos os funcionários. Agora, pretendo ajudá-los na Câmara. Quem sabe propondo projetos de aumento salarial", afirmou Tripoli. No Legislativo, ele não pretende integrar o bloco aliado do petista. "Vou ajudar o prefeito, mas isso não quer dizer que serei da base."

Colega de partido, Gilberto Natalini (PV) comemorou. "Fico aliviado com essa desistência. O PT não é boa companhia para ninguém", disse o vereador que, como Tripoli, apoiou o tucano José Serra na campanha deste ano. "Quem ganha governa, quem perde fiscaliza", disse.

Carlos Camacho, presidente do PV de São Paulo, afirmou que vai decidir hoje que nome será indicado para a substituição. Com quatro vereadores eleitos, o partido está dividido sobre a participação no governo petista. Além de Tripoli e Natalini, compõem a bancada dos verdes os ex-tucanos Dalton Silvano e Ricardo Teixeira.

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