Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

95 anos depois, colônia síria em São Paulo planeja rede solidária

Clube na região central da capital oferece aulas de português e contatos de trabalho; após 2 anos, família enfrenta dificuldades

Isabela Palhares, O Estado de S. Paulo

22 de setembro de 2015 | 03h00

SÃO PAULO - Há 95 anos, um grupo de imigrantes sírios recém-chegados ao Brasil se reunia semanalmente no centro de São Paulo para conversar sobre a terra natal. Dos encontros, surgiu o clube Homs, nome da cidade onde moravam na Síria. Hoje, os filhos e netos desses homens estão se organizando para ajudar os sírios que estão buscando refúgio no País. 

“Desde que se iniciou o conflito civil na Síria, há mais de quatro anos, nossos associados estão solidários com a situação em que estão vivendo. E nas últimas semanas, com a maior repercussão da crise, os sócios começaram a nos cobrar para que nos mobilizássemos para ajudar”, contou Antônio José Neaime, presidente do clube. A entidade entrou em contato com o Consulado da Síria e está se organizando para enviar remédios, suprimentos e equipamentos médicos para aquele país. 

Eles também estão oferecendo aulas de português e buscam empresas que possam ofertar empregos para os recém-chegados. “Assim como os nossos avós, eles querem uma oportunidade para recomeçar suas vidas. Meu avô veio para o Brasil na década de 1920, trabalhou como mascate no interior de São Paulo e criou uma grande família, espero que eles também tenham essa oportunidade”, disse Neaime. 

Fundada no início do século 20 por sírios e libaneses ortodoxos que migraram para o Brasil após sofrerem perseguição religiosa, a Catedral Ortodoxa de São Paulo também está recebendo e coordenando as doações para os refugiados. De acordo com representantes da igreja, desde o início do mês, diversos descendentes de sírios e associações estão procurando a catedral para oferecer ajuda. 

Dificuldade. A família de Muna Darweesh, de 35 anos, deixou a Síria há quase dois anos e ainda está com muita dificuldade para se estabelecer no Brasil. Professora de inglês e casada com um engenheiro naval, Muna disse que nenhum dos dois conseguiu emprego e, para sustentar os quatro filhos, começaram a cozinhar pratos típicos para vender nas ruas do centro.

“Tudo é muito difícil no Brasil. Escola, casa, emprego, tudo é uma batalha para nós. As pessoas acham que só com doações de roupa vão nos ajudar, mas o que a gente precisa mesmo é de emprego”, disse Muna. A família vive em um apartamento de um quarto na Liberdade, na região central, e paga R$ 1.250 de aluguel, mas disse conseguir faturar apenas R$ 900 por mês. Sem ajuda financeira, eles não sabem até quando vão poder ficar no imóvel. “Estamos devendo e não temos para onde ir.”

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