Hélvio Romero/AE-28/10/2009
Hélvio Romero/AE-28/10/2009

90% não têm programa de tratamento

Muitos municípios pediam socorro quando pesquisador ligava para pedir dados; menos de metade tinha campanha de orientação

Rafael Moraes Moura, O Estado de S.Paulo

14 Dezembro 2010 | 00h00

Os dados da primeira grande pesquisa nacional sobre crack revelam que, das cidades pesquisadas, apenas 8,43% executam programas institucionalizados de combate ao crack - no Estado de São Paulo, a média é de 8,46%. Entre os depoimentos recolhidos com os secretários municipais de Saúde, há relatos de aumento de consumo do crack entre a população jovem e houve até quem pedisse "socorro".

"O Brasil não tem nenhuma política de enfrentamento ao crack, seja por parte de municípios, Estado ou União", disse o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski.

Das 333 cidades que contam com programas municipais de combate ao crack, apenas 57 se preocuparam em fazer uma radiografia do uso da droga em seu território. E em apenas 61 houve ampliação da rede assistencial (como casas de passagem).

Em algumas cidades, a maioria das detenções já ocorre por causa de roubos para a compra de entorpecentes. No interior, cresce o número, por exemplo, de jovens que consomem a droga e estão na cultura de cana. "No Brasil, fizemos um grande esforço para a redução da mortalidade infantil, mas não há nenhuma política de prevenção à mortalidade juvenil. Estamos salvando nossas crianças, mas deixando morrer na juventude", afirmou Ziulkoski.

O cenário desolador é reforçado por outros números: menos da metade dos municípios do País (48,15%) estava realizando algum tipo de campanha contra o crack em novembro, incluindo atendimento a familiares e amigos de usuários, prevenção do uso de drogas e pesquisas. E só 14,78% das cidades afirmaram ter Centro de Atenção Psicossocial; 24% auxiliam entidades, como ONGs, na ressocialização dessas pessoas.

Mortes. Especialistas ouvidos pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) estimam que, nos próximos seis anos, 300 mil pessoas devem morrer no País em virtude do consumo de crack. A CNM defende um reforço no policiamento dos municípios de fronteira - com a utilização das Forças Armadas -, para inibir a entrada de substâncias ilegais em território brasileiro.

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