89 estações vazias em 22 cidades e 2,4 mi de afetados

Na capital, passageiros das zonas sul e leste foram os mais atingidos; além da falta de informação, enfrentavam frio de 12°C

Felipe Frazão e Felipe Tau, O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2011 | 00h00

Até a noite de ontem, quando os trens voltaram a circular, pelo menos 2,4 milhões haviam sido prejudicados. A greve na CPTM chegou a atingir todas as linhas de trem que atendem a Grande São Paulo. Segundo a companhia, 100% da malha ferroviária foi paralisada e nenhuma das 89 estações em 22 cidades funcionaram. E quem optou pelo metrô como alternativa de manhã teve de enfrentar filas que iam até as calçadas.

Às 5h30, centenas de pessoas aguardavam fora das estações de trem ao longo da Avenida das Nações Unidas, na zona sul de São Paulo, e da Radial Leste - áreas mais atingidas na capital. Todas as paradas estavam fechadas, com as composições estacionadas nos trilhos. Quem não sabia da paralisação total não tinha nem onde se abrigar do frio de 12º C.

Ninguém dava informações na Estação Primavera Interlagos, na zona sul. Os pontos de ônibus na Marginal do Pinheiros ficaram lotados. Ônibus articulados e peruas que seguiam na direção do centro passavam abarrotados de passageiros.

A Estação Jurubatuba, que na noite de quarta-feira teve quebra-quebra de vidraças por conta da paralisação de trens, amanheceu fechada. Na última estação da linha, no Terminal Rodoviário do Grajaú, passageiros desciam apressados das peruas e ônibus que vinham de bairros do extremo sul e subiam correndo as escadas para o trem. Após o primeiro lance, eram surpreendidos: fitas zebradas e um aviso de greve impediam a passagem. "Isso é culpa da pressão sindical. Ele só faturam", reclamava o aposentado Antônio Ribeiro, de 80 anos, acompanhado da funcionária pública Vera Lúcia, de 63, que discordava, apesar de ter perdido o horário do médico. "Eles têm de lutar pelos direitos."

Uma equipe da São Paulo Transporte (SPTrans) fez plantão nas plataformas do Grajaú (que recebe 19 linhas municipais de ônibus), apesar de a CPTM não ter solicitado à Prefeitura o Plano de Apoio entre as Empresas em Situação de Emergência (Paese). Ônibus extras fizeram o percurso dos trens. Mesmo assim, o fluxo de pessoas foi considerado excessivo - os veículos saiam lotados e comprometiam o atendimento nos pontos de rua.

Zona leste. A Estação Corinthians-Itaquera, que faz integração da Linha 11-Coral da CPTM com a Linha 3-Vermelha do Metrô, foi uma das mais prejudicadas. O movimento ficou cerca de 40% acima do habitual. Algumas pessoas tentaram pular as catracas, mas foram contidas.

O aumento no número de pessoas na área também foi causado por uma operação da SPTrans que encaminhou para lá 21 linhas que iriam para a Estação Guaianases e 3 da Estação José Bonifácio, da Linha 13-Coral.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.