800 ciclistas protestam contra morte na Paulista

Eles se reuniram em bicicletada na região onde bióloga morreu, na semana passada; trânsito teve de ser interditado durante concentração

RODRIGO BURGARELLI, O Estado de S.Paulo

07 Março 2012 | 03h01

Ontem foi dia de "bicicletada" nacional. Manifestações a favor do uso da bicicleta e do respeito ao ciclista no trânsito estavam marcadas para acontecer em 37 cidades brasileiras. Em São Paulo, um grupo de cerca de 800 pessoas se reuniu na Praça do Ciclista, na Avenida Paulista, região onde a bióloga Juliana Dias, de 33 anos, morreu atropelada por um ônibus na semana passada. O grupo deu voltas pelas ruas da região entregando panfletos de conscientização e carregando faixas de protesto.

Normalmente, as bicicletadas paulistanas ocorrem a cada 30 dias, na última sexta-feira do mês. Dessa vez, porém, a morte de Juliana e de outros quatro ciclistas - no Distrito Federal, Pará, Pernambuco e Santa Catarina - levou os grupos de cicloativistas a organizar a manifestação de ontem de maneira excepcional. Todas estavam marcadas para as 19h.

No dia da morte de Juliana, uma "ghost bike" - bicicleta pintada de branco afixada no lugar onde ocorre morte de ciclistas, por homenagem e protesto - já havia sido instalada nas grades de uma calçada próximo do local onde houve o incidente. A poucos metros dali já existe outra "ghost bike", instalada em 2009, após a morte da ciclista Márcia Prado, também na Paulista.

O grande número de ciclistas na manifestação de ontem na capital levou a Polícia Militar a interditar totalmente um dos sentidos da Rua da Consolação, em direção à Rebouças, e deixar apenas uma faixa livre do outro lado, enquanto ainda acontecia a concentração. "Veio quase o dobro de gente de uma bicicletada normal. O pessoal se revolta, porque se identifica com o que aconteceu com a Juliana. Da mesma maneira que foi com ela, poderia ser qualquer um", afirmou o cicloativista Willian Cruz, autor do blog Vá de Bike.

Segundo ele, o objetivo da manifestação é pedir mais respeito para quem anda de bicicleta na cidade. "As pessoas têm de deixar a gente usar a bicicleta. Isso é nosso direito, e tem gente que não respeita", disse Cruz. Segundo ele, o que mais dificulta a vida do ciclista é o motorista que não aceita que a bicicleta compartilhe a via. "Ele coloca a gente em risco de propósito para 'disciplinar', tirando fina, dando fechadas."  

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