Hélvio Romero/AE
Hélvio Romero/AE

80 anos do Cristo tem show e polêmica

Festa também incluirá missa, sobrevoo da Esquadrilha da Fumaça, bolo de 8 metros e show no Aterro do Flamengo com 30 atrações

FELIPE WERNECK / RIO, O Estado de S.Paulo

12 Outubro 2011 | 03h05

A Arquidiocese do Rio vai inaugurar hoje, quando o Cristo Redentor completa 80 anos, um busto em homenagem ao engenheiro e arquiteto Heitor da Silva Costa (1873-1947) no topo do Corcovado. Haverá uma placa informando que ele foi o "autor do projeto e construtor do monumento".

Trata-se apenas de uma das várias comemorações para a data, mas tem caráter simbólico. Parentes do escultor francês Paul Landowski (1875-1961), que participou da construção do Cristo, reivindicam direitos autorais e de imagem. Bisneta de Silva Costa, Bel Noronha diz que Landowski foi contratado só como colaborador para modelar mãos e cabeça da estátua. "A França quer se apropriar de uma construção nossa. É mentira. O interesse deles é financeiro", afirma ela, que dirigiu documentário e vai lançar livro sobre o monumento. "Tenho todos os documentos. Meu bisavô doou o direito patrimonial à Arquidiocese."

Filha do artista plástico Carlos Oswald (1882-1971), autor do desenho original, Maria Isabel Oswald Monteiro, de 92 anos, avalia que se trata de obra coletiva. "Não teve um, mas vários autores. Papai deixou isso bem claro. Ele teve colaboração importante, fez os desenhos do Cristo de braços abertos. Sem isso, não existiria estátua."

Para ela, que não reivindica nada, Silva Costa teve "muita importância", assim como Landowski. "Ninguém foi mais importante que ninguém." Uma ação foi movida em 2007 por herdeiros de Landowski contra a joalheria H. Stern, sob alegação de que violara direitos autorais do artista francês ao reproduzir a obra do Cristo em pingente de ouro. A ação foi negada em primeira instância. "Foi afirmado que a Mitra Arquiepiscopal do Rio é a única titular dos direitos patrimoniais sobre a obra arquitetônica conhecida como 'Cristo Redentor', que detém natureza de obra coletiva, cuja gestão e execução foram encomendadas ao arquiteto Heitor da Silva Costa, após a realização de concurso público", disse a Arquidiocese.

Até o prefeito Eduardo Paes (PMDB) entrou no assunto e assinou decreto que reconhece Silva Costa como autor. "O objetivo é fazer o registro histórico correto, dar grau de oficialidade e interromper essa baboseira."

Polêmica à parte, estão programadas várias atividades para os 80 anos. Hoje, sete aviões da Esquadrilha da Fumaça vão sobrevoar o monumento. O arcebispo d. Orani João Tempesta vai celebrar missa no santuário e inaugurar os bustos de Silva Costa e d. Sebastião Leme, arcebispo que levou adiante a ideia da construção. Às 13h, será cortado um bolo de oito metros. Em seguida, começará no Aterro do Flamengo o Show da Paz, com participação de 30 artistas nacionais e da cantora americana Stacey Kent.

O evento teve patrocínio da prefeitura do Rio (R$ 1 milhão) e da Vale (R$ 5 milhões, por meio de renúncia fiscal). Organizadores estão pleiteando outros patrocínios e o custo de um ano de atividades relacionadas à comemoração pode chegar a R$ 14 milhões, incluindo a nova iluminação do monumento, inaugurada em março, o concurso para escolha da música-tema dos 80 anos, uma regata e a exposição Cristo Redentor Para Todos, que vai espalhar pelo Brasil e em outros países 25 réplicas de 3,8 metros da estátua. "O Cristo não é apenas ponto turístico, mas santuário católico e agora terá desdobramento social", diz o padre Omar Raposo, reitor do santuário. Segundo ele, serão oferecidos serviços e atendimentos gratuitos à população, inicialmente em Realengo, na zona oeste.

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