TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO
TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO

76 unidades de saúde da Prefeitura já pediram caminhão-pipa

Levantamento indica que 113 equipamentos públicos, entre UBSs, AMAs e prontos-socorros, registraram falta de água em 2015

Bruno Ribeiro e Fabiana Cambricoli, O Estado de S. Paulo

10 Fevereiro 2015 | 03h00

SÃO PAULO - Na capital paulista, 113 unidades de saúde já registraram falta de água desde o começo do ano. Dessas, 76 precisaram de caminhões-pipa para não fechar. A conta inclui apenas endereços da Prefeitura, que mantém serviços em 780 locais da cidade. Esses registraram, somados, 633 situações de seca. O mais grave é que, em 51 dessas situações, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) não enviou caminhões-pipa para socorrer as unidades. 

A contabilidade foi feita apenas no mês de janeiro e nos primeiros dias de fevereiro. Inclui Unidades Básicas de Saúde (UBSs), Ambulatórios Médicos de Especialidades (AMEs), unidades de Assistência Médica Ambulatorial (AMAs), de Pronto-Atendimento (PAs), Pronto-Socorros (PSs), Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e outras unidades. Nesses locais, já é possível encontrar banheiros e bebedouros lacrados para evitar o desperdício e água mantida em estoque nas caixas apenas para atendimento médico.

Os grandes hospitais estão fora da lista, muitos por apresentarem fontes próprias ou por manterem convênios para garantir a água.

A maior parte das unidades afetadas (50) fica na zona norte, única região integralmente abastecida pelo Sistema Cantareira, que apresenta o quadro de seca mais grave.

Banhos. O centro da cidade tem apenas três casos registrados - a região também é abastecida pelo Cantareira. Mesmo assim, alguns serviços já deixaram de ser prestados: no prédio da AMA Sé, foram afetados do processamento de chapas de raio X até o banho de pacientes. Na UBS Jardim Olinda, na zona sul, a seca paralisa consultas.

Na UBS Vila Leonor, na zona norte, parte dos atendimentos foi suspensa oito vezes no mês de janeiro. “Temos de reservar a água da caixa para os atendimentos médico e odontológico. Quando seca tudo, chamamos o caminhão-pipa, mas ele custa R$ 2 mil e ainda demora para chegar”, disse uma funcionária do local.

No Pronto-Socorro Municipal Doutor Lauro Ribas Braga, em Santana, também na zona norte, o abastecimento emergencial também tem sido feito com carros-pipa. “É errado a Sabesp cortar a água em hospitais. Esses lugares tinham de estar em uma lista com o abastecimento garantido. Por causa desse absurdo, o PS fica gastando dinheiro com caminhão-pipa, em vez de melhorar o atendimento”, diz o auxiliar de laboratório Thiago Gomes, de 28 anos, que esperava há uma hora nesta segunda-feira na unidade sem nem sequer conseguir abrir uma ficha de atendimento. 

Em quase todos os casos de falta de água, os gestores das unidades informaram não terem sido avisados previamente sobre o desabastecimento. No fim do ano, Prefeitura e Sabesp chegaram a um acordo que previa que, no caso de seca, a unidade de saúde acionaria diretamente a Sabesp para solicitar um caminhão-pipa, que seria enviado gratuitamente ao local.

Sem água. A UBS da Vila Jacuí, também na zona leste, registrou 16 casos, entre os dias 7 e 30 de janeiro, em que a água acabou, os caminhões-pipa foram chamados e não apareceram. Sem abastecimento, o local paralisou consultas - nas áreas de ginecologia e odontologia.

Nas unidades de saúde terceirizadas, administradas por Organizações Sociais (OSs), quando o caminhão-pipa não aparece, são compradas cargas particulares (como no caso da UBS Jardim Leonor, citada acima), que depois são reembolsadas. A reportagem questionou a Sabesp sobre o caso, que alegou não ter como verificar as informações nesta segunda. 

Mais conteúdo sobre:
crise da água São Paulo

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.