76 caminhões quebram na rua por dia

Eles formam 5% da frota, mas representam 20% dos veículos que têm de ser removidos pela CET

Bruno Ribeiro, Tiago Dantas, O Estado de S.Paulo

06 Dezembro 2010 | 00h00

Embora os caminhões sejam apenas 5% da frota que circula na capital, eles representam 20% de todos os veículos que quebraram e tiveram de ser socorridos pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) neste ano. Levantamento obtido pela reportagem mostra que a média é de 2.300 caminhões quebrados nas ruas a cada mês, ou 76 por dia. O número, entretanto, representa queda de 11% em relação a 2009.

Os dados comprovam a fama de vilões do trânsito dos caminhões. Segundo a CET, nas vias expressas, 15 minutos de trânsito interrompido se desdobram em congestionamento de 3 km.

O presidente do Conselho de Representantes dos Funcionários da CET, Gilberto Ferreira Júnior, diz que a retirada de caminhões das vias depende de uma série de fatores - a começar pelo tipo de defeito. "Se puder fazer arrasto (rebocar o veículo sem erguê-lo) é mais rápido", diz. Na média, esses veículos são removidos em 20 ou 30 minutos.

Para o agente de trânsito, há três fatores que explicam por que o número de socorros neste ano caiu: abertura do Trecho Sul do Rodoanel, que retirou parte desses veículos da cidade; liberação das pistas centrais na Marginal do Tietê e a recente restrição ao trânsito de caminhões na Marginal do Pinheiros e em diversas vias da zona sul da capital.

Também segundo a CET, a média de lentidão no horário de pico neste ano está em 99,6 km. Ano passado foi de 106 km. "Sem congestionamento, o caminhão faz menos movimento de retomada de marcha, que é danoso ao veículo", diz o mestre em Transportes pela Universidade de São Paulo e consultor de trânsito Sérgio Ejzemberg. "Deixa de quebrar na cidade para quebrar no Rodoanel."

Especialistas afirmam que o número de atendimentos da CET a caminhões quebrados é maior que o dos carros porque às vezes os carros podem ser retirados sem reboque e empurrados para fora da via. Eles ressaltam, no entanto, que os caminhões exigem mais manutenção do que os carros. A média da frota de pesados é de 10 anos e 6 meses (ante 8 anos no caso dos carros). Circular com um caminhão velho não causa problemas, desde que a manutenção seja feita corretamente, segundo o diretor do Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios do Estado de São Paulo, Antônio Gaspar de Oliveira.

PARA LEMBRAR

Estudo do Grupo de Manutenção Automotiva, ligado ao Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios do Estado de São Paulo, mostra que a maioria dos caminhões tem problema no motor ou nos rolamentos. A pesquisa foi feita na Rodovia Presidente Dutra, que liga São Paulo ao Rio de Janeiro, em abril deste ano, com 200 caminhões. Check-up constatou que em 96 faltava manutenção nos rolamentos e 116 tinham problemas no motor. Um terço apresentava falha no sistema que controla a temperatura e a explosão de combustível do propulsor. O estudo mostrou também que os caminhões podem causar acidentes: 65% tinham defeito no freio e 25%, ao menos uma lanterna quebrada.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.