Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

75 sem-teto são levados à delegacia após confronto em SP

Crianças e idosos estavam entre grupo de invasores de prédio na Avenida São João encaminhados ao 3º Distrito Policial

Felipe Resk e Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

16 Setembro 2014 | 21h16

Atualizada às 23h59

SÃO PAULO - A Polícia Militar encaminhou, até as 19 horas desta terça-feira, 75 sem-teto a delegacias por resistência e desobediência durante os conflitos na reintegração de posse de um prédio na Avenida São João, na região central de São Paulo. No grupo detido pela manhã, havia crianças e idosos que também foram conduzidos em ônibus da PM para o 3.º Distrito Policial (Campos Elísios). Todos foram liberados. Invasores reclamaram de truculência da PM, que negou a acusação. 

De acordo com a Frente de Luta por Moradia (FLM), não foram enviados caminhões suficientes para retirar pertences. O impasse levou ao conflito.

“A gente só estava protestando contra a reintegração”, afirmou uma moradora, que não quis se identificar. Ela disse que os sem-teto usavam apitos e batiam nas janelas. Segundo os moradores, ao menos 30 bombas de gás lacrimogêneo foram lançadas em cinco minutos. A PM informou que reagiu à investida dos sem-teto, que lançaram móveis, eletrodomésticos e pedras do alto do edifício.


O secretário estadual da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, rebateu e disse que não houve “excesso” da PM (leia mais nesta página). O coronel Glauco Araújo de Carvalho, comandante do policiamento da capital, negou as acusações dos sem-teto. “Não é realidade a versão deles. Ficamos das 6 às 8 horas para que eles saíssem de forma pacífica. Nós não tínhamos condições de colocar os 40 caminhões na frente do edifício”, afirmou. Ele disse que todos os veículos foram à região e ficaram em ruas adjacentes.

“Quando o efetivo chegou não houve acordo, foram duas horas de negociação e começaram a atirar objetos sobre os policiais. (O conflito) Acabou se generalizando com o envolvimento de outros grupos, até mesmo do centro da cidade”, disse Carvalho. Segundo ele, havia black blocs em saques e depredações.

“As bombas entravam pela janela, não dava para fugir da fumaça. Todo mundo precisou sair correndo para a cobertura”, contou o autônomo Rafael Macedo dos Santos, de 19 anos, que foi levado ao 3.ºDP. “Havia muitas crianças, mulheres grávidas e até cadeirante passando mal”, disse Graciane do Nascimento, coordenadora da FLM.

Um carro blindado da Tropa de Choque foi usado para arrombar a porta do prédio. Os PMs deram ordem para que crianças e mulheres deixassem o local primeiro e foram ao encontro do grupo na cobertura. Segundo a PM, foram encontrados 12 coquetéis molotov.

Acordo. O comando da PM informou que foram realizadas reuniões prévias com a FLM para acertar o procedimento da reintegração de forma pacífica. 

A Promotoria de Habitação e Urbanismo informou que instaurou inquérito civil no qual requisitou à Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social a inserção das famílias desalojadas em programas de atendimento. Segundo a promotoria, a Prefeitura “apenas” colocou à disposição “a possibilidade de cadastramento em programa de transferência de renda”.

A Prefeitura, por sua vez, disse que colocou à disposição das famílias o Centro de Referência de Assistência Social da Sé. Até as 19 horas, ninguém havia procurado o local. Líderes da FLM recomendaram que outras ocupações fossem procuradas. 


Mais conteúdo sobre:
protestosSão Paulo

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.