70% dos motoristas levam crianças sem proteção no carro

A partir de 9 de junho, quem não carregar os menores de 10 anos em cadeirinhas ou banquinhos com cinto terá de pagar R$ 191,54

Renato Machado, O Estado de S.Paulo

14 de maio de 2010 | 00h00

Um estudo da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) mostra que praticamente todos os motoristas paulistanos com crianças no carro as transportam no banco traseiro (90%). Por outro lado, apenas 30% seguem por completo as regras de segurança, com elas sendo levadas no banco traseiro e nas cadeirinhas ou com cinto de segurança.

Os motoristas vão precisar adaptar-se até 9 de junho, quando entram em vigor novas regras para o transporte de crianças. Até os 10 anos, elas devem ser transportadas no banco de trás e, dependendo da idade, terão de estar em um dispositivo de segurança específico (ver quadro ao lado). Em caso de infração, a multa será de R$ 191,54.

A obrigatoriedade dos dispositivos é apontada como avanço por reduzir o risco de morte em acidentes - em 71%. Mas as próprias autoridades reconhecem que a fiscalização é difícil. No ano passado - com a regra determinando apenas que crianças fossem levadas no banco de trás e com cinto -, foram registradas na cidade de São Paulo apenas 3.058 autuações por transporte de crianças de maneira inadequada - 0,04% do total aplicado.

E a tendência é de que as novas regras sejam mais difíceis de fiscalizar, uma vez que os agentes não conseguem muitas vezes visualizar o interior dos veículos, muito menos saber a idade das crianças. "A fiscalização é extremamente difícil, como já é a fiscalização do cinto de segurança no banco traseiro", disse o secretário dos Transportes paulistano, Alexandre de Moraes, no lançamento da campanha de conscientização do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran).

Uma das apostas da pasta é realizar blitze em conjunto com a PM. Em relação à verificação da idade das crianças, o secretário diz que pode haver dúvida, principalmente quando elas estão no limite etário para passar de um dispositivo para o outro. "Às vezes, a CET verifica que existe uma criança menor de tamanho na frente; então, ela autua e aí o pai recorre, juntando a certidão de nascimento, e comprova a idade", diz. A Prefeitura também vai negociar com os taxistas o uso dos dispositivos - a resolução não prevê a obrigatoriedade para esses veículos.

Conscientização. Dada a dificuldade, as autoridades estão investindo na conscientização dos pais. "Nosso objetivo não é multar, mas garantir a vida", disse o ministro das Cidades, Márcio Fortes. "Todo mundo acha que não vai acontecer em casa. Mas eu perdi um filho no trânsito. Só acontece com os outros? Aconteceu lá em casa", se emocionou o ministro, ao lembrar o acidente que vitimou o filho de 22 anos.

Campanha

A partir do próximo domingo, o Denatran começa a veicular uma campanha publicitária sobre o uso dos dispositivos de segurança. Haverá distribuição de material educativo em escolas.

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