7 são mortos no Jaçanã; um dia antes, Rota mandou população ficar em casa

Três dos assassinatos ocorreram em uma chacina registrada no Jaçanã

Bruno Paes Manso e Ricardo Valota, O Estado de S.Paulo ,

26 Julho 2012 | 03h35

Atualizado às 23h54 para acréscimo de informação

SÃO PAULO -  Em apenas quatro horas, das 21h30 de quarta-feira à 1h30 de quinta-feira, 26, sete pessoas foram assassinadas em três locais da zona norte, em um raio de 1,5 km, na região do Jaçanã. O primeiro caso foi uma chacina com quatro mortos. O local do crime, a Rua do Morro do Livramento, na Vila Nova Galvão, fica a menos de 200 metros do lugar onde um soldado das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) foi baleado com três tiros de fuzil dois dias antes.

A chacina aconteceu depois que quatro homens encapuzados entraram atirando no Lava-Rápido do Césinha, no momento em que um grupo jogava baralho. O local, que funciona há pelo menos sete anos, é usado como estacionamento para funcionários do posto de saúde vizinho. O dono do estabelecimento, César Conceição Lopes, de 44 anos, seu funcionário Isaque Pereira Lima, de 20, e Leonardo Pereira Oliveira, de 17, que morava perto do local do crime, morreram na hora. O comerciante Dercy Guilhermino Marques, que vendia batatas fritas nas ruas do bairro, morreu ontem. Carros da PM socorreram Isaque e Leonardo. Os demais foram levados pelos vizinhos para hospitais. Nenhum dos quatro tinha antecedentes criminais.

Na terça e na quarta-feira, segundo moradores, pelo menos seis viaturas da Rota circularam pela área pedindo informações sobre o atentado ao soldado Anderson Andrade de Sales na segunda-feira. O policial sobreviveu.

Moradora há 50 anos da Vila Nova Galvão, uma senhora, que pediu para não ser identificada, contou que até mulheres foram abordadas para passar informações a respeito dos autores do atentado. Nas abordagens, segundo um jovem revistado pelos policiais, moradores eram informados de que não deveriam ficar na rua depois das 20 horas.

Vizinhos do estacionamento disseram que viaturas da Rota estiveram duas vezes no local antes da chacina. "Os tiros foram durante a novela (das 21h). Tivemos de pular no chão para não ser atingidos dentro de casa. Há anos não ouvíamos notícia de violência no bairro", disse uma vizinha.

‘Biqueira’. No segundo caso, por volta da 1 hora, Daniel Silva de Melo, de 21 anos, morreu em uma viela com dois tiros. Ele estava na Rua Águas de Chapecó e tinha antecedente criminal por tráfico. Segundo o PM que depôs na delegacia, o lugar era uma "biqueira" que vendia drogas.

No terceiro caso, 30 minutos depois, novamente duas motos com dois homens mascarados atingiram mais dois jovens: Igor Góes, que era órfão e havia se mudado para o bairro para morar com os avós, e Lucas, que não teve o sobrenome revelado e no bairro era conhecido como Aliado. Eles não tinham passagem pela polícia e morreram na hora.

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