TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO
TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO

62% das árvores que caem em SP são sadias

De acordo com a Prefeitura, pancadas de chuvas localizadas e fortes rajadas de vento seriam o motivo para tantas quedas

O Estado de S. Paulo

04 Fevereiro 2015 | 21h04

Das 1.765 árvores que caíram em cerca de três meses na cidade de São Paulo, recorde absoluto para o período, 62% estavam sadias, segundo o balanço parcial da “Operação Chuvas de Verão”, apresentado nesta quarta-feira, 4, pela Prefeitura. A queda de árvores neste verão chegou a matar uma pessoa e fechar pela primeira vez o Parque do Ibirapuera.

De acordo com a Prefeitura, pancadas de chuvas localizadas e fortes rajadas de vento - que chegaram a atingir 96 km/h - seriam o motivo para tantas árvores terem desabado. “Anteriormente, estávamos mais preocupados com o funcionamento dos semáforos”, afirmou a vice-prefeita, Nádia Campeão. 

Apesar de não considerar a incidência de ventos fortes um acontecimento atípico para o verão, o gerente do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), Hassan Mohamad Barakat, afirmou que o pico foi mais intenso neste período. “Quando o vento chega entre os prédios, é canalizado e aumenta a potência em relação às arvores, que são distantes uma das outras e não podem apoiar-se entre si. Ainda há agravante do peso da chuva”, explicou.

A Prefeitura mapeou, via satélite, 650 mil árvores distribuídas pelo viário da cidade. Segundo Nádia Campeão, o próximo passo é fazer o cadastramento de cada uma. “Vamos alinhar uma série de ações ao longo do ano.” Entre outras medidas estão um manual de podas.

Críticas. Especialistas, no entanto, discordam da versão da Prefeitura. Para o engenheiro florestal Agnaldo Scarassati, professor da Faculdade Cantareira, o problema está no que a Prefeitura considera “árvore sadia”. “Eles consideram as plantas que não têm doenças ou pragas, mas o distúrbio fisiológico, como florescimento em época que não devia estar crescendo, perdas constantes de folhas e falta de irrigação também comprometem a árvore”, explica. 

Já para o ambientalista Ricardo Cardim há falta de monitoramento adequado das árvores. “Das 650 mil monitoradas, só 7,4% foram avaliadas de perto nas suas condições de saúde. Como podem falar que existe essa fiscalização?”, indaga. “Os números divulgados ontem não condizem com a realidade de estado das árvores de São Paulo.”/FELIPE RESK e BÁRBARA FERREIRA SANTOS

Mais conteúdo sobre:
São Paulo

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.