62 anos depois, Clube dos 500 retoma estilo VIP

Com projeto de Niemeyer, paisagismo de Burle Marx e painel de Di Cavalcanti, espaço que virou hotel na Dutra passa por reforma

EDISON VEIGA, O Estado de S.Paulo

07 Agosto 2012 | 03h04

Lembra do Clube dos 500, reduto de bacanas das antigas? Agora são outros 500. O tradicional hotel às margens da Via Dutra, no meio do caminho entre São Paulo e o Rio, passou por uma reforma completa.

O hotel foi criado em 1950, em uma área de 650 mil m², pelo empresário Orozimbo Roxo Loureiro - o mesmo que bancou a construção do Edifício Copan, no centro de São Paulo. Foi Oscar Niemeyer, aliás, o arquiteto que projetou os dois primeiros blocos - 20 dos 70 apartamentos atuais. Burle Marx foi chamado para resolver o paisagismo. "A ideia de Orozimbo era reunir 500 amigos, fazer uma espécie de time sharing com eles entre Rio e São Paulo", diz a atual diretora, Mariana Sodré Santoro Batochio.

O Clube dos 500, entretanto, não funcionou tão bem como Orozimbo gostaria. Em 1970, o espaço foi incorporado à companhia de hotéis do Bradesco. Mais tarde, cedido à Fundação Bradesco, acabou funcionando como centro de treinamento dos funcionários. "O Clube dos 500 chegou a ir a leilão, mas, por não ter o valor mínimo alcançado, não foi vendido", relata Mariana.

Foi quando sua família adquiriu o local, em 1991. "O objetivo era transformá-lo em um centro de leilão de animais", conta. "Mas, quando conhecemos mais a história e vimos as possibilidades, resolvemos retornar para a ideia de hotel."

Tradição. A história é rica em episódios prosaicos, alguns comprovados, outros exagerados. É verdade, por exemplo, que o ator e cineasta Amácio Mazzaropi se hospedou lá algumas vezes - e rodou ali cenas de filmes. Também é verdade que, de Getúlio Vargas a Lula, todos os ex-presidentes dormiram ou passaram ao menos um dia no hotel.

Ninguém discute também que a autoria do belo painel de 5 m por 4 m que enfeita um dos restaurantes é de Di Cavalcanti - que morou no hotel de 1950 a 1951, enquanto fazia o trabalho. Mas pode ser lenda o motivo que levou o pintor a buscar abrigo naquele então recanto de ricaços. "Alguns dizem que ele veio passar uma temporada aqui porque estava fugindo de uma namorada no Rio", conta o supervisor do hotel, Valdeci Pereira de Souza.

Nos últimos anos, o hotel ganhou instalações e passou por modernizações. No ano 2000, foi erguida ali uma capela ecumênica, hoje cenário de muitos casamentos. Em 2008, Mariana assumiu a administração do local e passou a imprimir seu estilo. A boate foi ampliada e um chef de cozinha, contratado. Duas saunas, uma academia e uma piscina aquecida foram inauguradas, assim como um cinema e uma cafeteria - que funciona no casarão que era a sede da fazenda que existia antes do Clube dos 500 e, acredita-se, tenha sido erguida nos anos 1920. Por fim, o espaço de golfe, marca do hotel há mais de 30 anos, também ganhou melhorias.

Em meio a esse processo de modernização, os itens antigos não são descartados. Viram objeto de decoração. A velha máquina registradora repousa no salão social. E uma obsoleta TV enfeita a recepção. No salão, um piano de cauda está à disposição dos hóspedes.

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