611 mortos

Exército ajuda a enterrar dezenas de vítimas não reconhecidas

FELIPE WERNECK, PAULO SAMPAIO, JAMIL CHADE, RENATO MACHADO, KELLY LIMA e RODRIGO BRANCATELLI, O Estado de S.Paulo

16 Janeiro 2011 | 00h00

Usando máscaras cirúrgicas, militares do Exército ajudaram a enterrar na manhã de ontem cerca de 50 corpos ainda não reconhecidos da tragédia em Nova Friburgo no Cemitério Municipal Trilha do Céu, no bairro de Conselheiro Paulino. Carregados da quadra da escola de samba Unidos da Saudade, no centro, os primeiros caixões lotaram três caminhões de transporte de tropa. O comboio seguiu silenciosamente por ruas da cidade com uma escolta da Polícia Militar. Enquanto isso, o triste trabalho continuava - funcionários da prefeitura já cavavam outras 200 covas rasas no Trilha do Céu.

Dos 50 corpos que foram levados para o cemitério, pelo menos três foram reconhecidos no local por parentes e enterrados em jazigos privados depois do velório. Os corpos ainda não reconhecidos foram identificados por impressões digitais e fotos. Ontem, uma tromba d"água de 30 minutos voltou a assustar Nova Friburgo e Teresópolis. O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), que viajava de carro pela região, disse ter vivido momentos de pânico. Ele saiu da capital de helicóptero até a cidade de Cachoeiras de Macacu, onde um carro da Defesa Civil o levaria para Nova Friburgo. Cabral passava pelo distrito de Mury, na RJ-116, quando houve deslizamento de terra. A estrada foi fechada para veículos. "Estou vivo e não perdi nenhum parente. Mas vivi o pânico. De repente a queda d"água vem e a estrada que estava semibloqueada começa a ruir", disse Cabral.

Antes, o governador decretara luto oficial de sete dias pelas vítimas das chuvas - até 22h, a Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil contabilizavam 611 mortos e mais de 6 mil desabrigados. A presidente Dilma Rousseff decretou luto oficial de três dias, a contar de sexta-feira.

Mais do que um infortúnio do clima, a tragédia da semana passada também começa a ser explicada melhor pelo despreparo do País em lidar com desastres dessa magnitude. Segundo relatório oficial, o governo brasileiro admitiu à ONU a precariedade dos órgãos para lidar com catástrofes. Para se ter ideia da precariedade, um em cada quatro municípios do País nem sequer possui serviço de defesa civil e, onde existe, não há como medir se é eficiente.

Os relatos de quem sobreviveu à tragédia ainda impressionam. São histórias de gente que perdeu casa, parentes, amigos. Pessoas que agora têm de olhar para a frente e reconstruir aquilo que a chuva não conseguiu levar.

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